O acolhimento da religiosidade afro-brasileira à população LGBTQIA+

Templo de Umbanda Tsara Paixão Cigana- Mãe Manu

Por Alessandro Valentim

 Sim, o chão do terreiro é para todos. Num mundo onde boa parte dos líderes religiosos disseminam o preconceito e se recusam a celebrar a união entre pessoas do mesmo sexo, a população LGBTQIA+ encontra na fé espiritualista uma família que abraça, respeita e acolhe as suas bandeiras.

 A fé nos Orixás enfrentou o racismo e resistiu em meio à escravidão, fazendo das senzalas um lugar de fé em meio a tanta dor. Em razão disso, o preconceito não tem espaço nas casas de Umbanda e Candomblé. Nos centros, todos são irmãos, mas também são resistência.

 Não é difícil encontrar Pais e Mães de Santo ou Babalorixás e Yalorixás homossexuais. Se fora dos terreiros são discriminados, na Terra dos Orixás são reis e rainhas, ocupando a patente mais alta para os representantes de Aruanda. Isso mostra que há voz na fé afro-brasileira para toda a pluralidade da sociedade.

 Na praia, no campo ou dentro do próprio terreiro, o casamento homoafetivo é realizado sem dor de cabeça pelos sacerdotes e guias espirituais da religiosidade de matriz africana. Baseados no fundamento do amor, os casais recebem as bênçãos do astral sem censura, repressão e negativa. A única regra é amar de verdade e honrar a fidelidade prometida na frente do gongá.

 Mas e se o médium for preconceituoso? Bom, aí ele terá uma ótima oportunidade de aprender. Homens incorporam espíritos mulheres, assim como mulheres incorporam espíritos homens. Em muitos terreiros, as entidades vestem roupas que as representam de forma masculina ou feminina, se for o caso. Afinal, a espiritualidade está acima de qualquer limitação carnal, seja por vaidade ou preconceito.

 Todos merecem exercer a sua fé, assim como receber as bênçãos de Deus, presente em todas as religiões. Enquanto o mundo lhe aponta o dedo, lhe damos um abraço. Sem dúvidas, a fé afro-brasileira é sinônimo de acolhimento em um cenário que afasta a população LGBTQIA+.