Festa de São Cosme e São Damião marca luta contra o preconceito

Grupo Umbandista Filhos de Oxalá - Pai Carlos/ Foto enviada pelo dirigente.

Por Alessandro Valentim

Hoje, o Dia de São Cosme e São Damião é uma tradição que perpetua as religiões no Brasil. Os Santos gêmeos do Catolicismo foram sincretizados com os gêmeos da religiosidade afro-brasileira, o Orixá Ibeji, assim templos e famílias distribuem doces e brinquedos a fim de tornar o dia de milhares de crianças mais feliz.

As falanges dos Erês no Candomblé e da Ibejada na Umbanda são lembradas pela alegria e espontaneidade das entidades. Considerados um dos graus mais elevados da espiritualidade, os devotos confiam seus pedidos tanto à força representada pela imagem de Cosme, Damião e Doum quanto à energia de Pedrinho, Mariazinha, Rosinha e Joãozinho incorporados nos médiuns terreiros a fora.

Tamanha devoção, a entrega de doces funciona, em alguns dos casos, como a gratidão de uma promessa por parte de pessoas que pediram ajuda às Crianças. A prática foi interpretada com tanto preconceito que até hoje a demonização dos doces impede que todos participem da celebração.

Para uma criança que não nasce preconceituosa, é dito que se comer vai passar mal. Já os jovens e adultos recusam e impedem que seus filhos aceitem por acreditarem que os doces e brinquedos foram oferecidos para uma força demoníaca, embora seja uma data que faz a alegria de diversas famílias.

‘’Nós preparamos tudo com tanto carinho que chega a doer quando alguém não aceita o saquinho. Se fosse algo para o mal, as crianças não iriam sorrir ou pular de alegria em cada casa que distribui os doces. O verdadeiro demônio é esse preconceito que separa a gente’’, afirmou Mãe Márcia d’ Oxum, dirigente da Casa de Caridade Cabocla Jurema.

A tradição não se deixou levar pelo preconceito e resistiu ao tempo. Entre acampamentos improvisados nas calçadas e filas de crianças correndo pelas ruas, a cultura de São Cosme e São Damião permanece viva, unindo os Católicos aos Umbandistas e Candomblecistas, unindo os ateus aos religiosos. A importância dessa união é tamanha, que a celebração foi considerada Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro, através de uma Lei do vereador Átila A. Nunes.

‘’O Dia de Cosme e Damião é muito mais do que uma data religiosa. Crianças ganham presentes que muitas das vezes seus pais não poderiam lhes dar, assim como os doces que com essa dificuldade para pôr comida à mesa não é a prioridade da família. Além disso, a data mostra como as crianças são capazes de conviver e celebrar juntas sem discriminação, o que tinha que ser feito por todos nós’’, disse o vereador.