Relator da CPI da intolerância religiosa procura Silvio Santos para intervir no Bake Off Brasil

Talita Batista, ex-participante do Bake Off Brasil.

Por Alessandro Valentim

A confeiteira umbandista Talita Batista acusou a produção do Bake Off Brasil de manipulação e intolerância religiosa após ser impedida de batizar os bolos preparados por ela com homenagens às divindades da sua religião. A ex-participante afirma ainda que na mesma edição, um dos competidores foi autorizado a chamar sua arte de “Bolo de Nossa Senhora de Nazaré”.

—Quando me inscrevi no programa, eu estava ali para participar e ser julgada, independe do resultado. E ao contrário de alguns colegas que confrontaram a produção, eu aceitei as críticas. Eu confesso que isso não foi fácil para mim, mas estava ali para participar de uma seleção e dando o meu melhor para vencer a disputa seguindo as regras do jogo— desabafou a confeiteira Talita —Quando falaram da minha religião e quando eu comecei a querer apresentar os temas dentro daquilo que eu achava que seria legal, eles começaram a me barrar. No caso do ‘Bolo da Pombagira’, eles me fizeram mudar o nome pra ‘Moça’.

Na edição citada por Talita, ela lembra que teve uma desavença com a participante Thaís Macêdo. A discussão entre as duas teve repercussão na internet, mas ficou sem sentido no ar. Um ano depois, Talita explica o que de fato ocorreu. “ Na edição feita, parecia que eu estava atacando a Thaís, mas, na verdade, eu estava reagindo à uma ofensa motivada pela religião que sigo. Não passou isso”, explicou Talita.

O relator da CPI da Intolerância Religiosa na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o deputado Átila Nunes, vai pedir ao dono do SBT, o apresentador Silvio Santos, para intervir na produção do programa.

— Meu pai foi amigo e contemporâneo do grande comandante do SBT, o comunicador mais querido do Brasil: Sílvio Santos, que jamais permitiu que entrasse na na grade programas religiosos, mantendo a postura laica da emissora. É fundamental que esse grave incidente no Bake Off Brasil chegue ao conhecimento dele. Vou contactá-lo em nome de todos que defendem o respeito às religiões, ao mesmo tempo em que nos solidarizamos com a Talita, que teve a coragem de se orgulhar publicamente de sua fé. Se o programa tivesse sido produzido no Rio, Talita poderia dirigir-se à Decradi — delegacia especializada em crimes de intolerância religiosa— e denunciar a produção do reality”, afirmou o parlamentar.

Átila Nunes, relator da CPI da Intolerância Religiosa no Rio de Janeiro.