‘’Eu adorei as Almas no dia de hoje’’

Foto: Cabana Espírita Pai Joaquim de Loanda - Mãe Jussara/ Henrique Esteves

 Por Alessandro Valentim

 Treze de maio de 1888 marcou a história do Brasil com a assinatura da Lei Áurea. A abolição da escravatura deu ao povo negro o que jamais deveria lhe ser retirado, a sua liberdade. Claro, a luta  contra o racismo e as desigualdades não cessou, ainda há um grande caminho pela frente. 

 Na Umbanda, a data celebra o Dia dos Pretos-Velhos, que são nossos ancestrais que rezaram aos Orixás pela alforria. Não há sofrimento durante a manifestação da falange. Nossos Vovôs e Vovós trazem ensinamentos que são verdadeiras lições de vida, afinal passaram pela fase mais triste da nossa história e ainda alcançaram o estado grandioso de evolução em espírito de se tornarem entidades.

 Seja dor de amor, de amizade, trabalho ou ansiedade. Pode ser incerteza, insegurança, medo, mágoa. Não importa o quão grande seja o seu problema, você pode se consultar com um Preto-Velho e ele saberá lhe orientar. Já por isso, são chamados de ‘’psicólogos da Umbanda’’, uma vez que ajudam o consulente a encontrar uma direção para a solução do que lhe tira o sono. Não é uma mágica que resolve tudo, são palavras que clareiam a sua mente para que consiga enxergar a vida com mais esperança e sensatez.

 Nas giras festivas, em homenagem à falange das Almas, é comum servir feijoada se for festa, colocar café à disposição dos guias, acender cachimbos para que os Vovôs defumem o ambiente e limpem o campo energético do consulente com a fumaça sagrada etc.

 Há muita emoção com a presença dos Pretos-Velhos. Pergunte para qualquer umbandista qual é o Preto-Velho da sua vida. Ele vai citar o dele, o de um parente ou de uma Mãe de Santo que tem um terreiro em algum lugar distante ou próximo. O umbandista tem uma história com a falange. Um conselho certeiro, um milagre ou até um esporro reflexivo. É impossível pisar na Umbanda e não ter a sua vida marcada por essa entidade de luz.

 Hoje, queremos reafirmar o nosso amor pelas entidades do tecido xadrez, do chapéu de palha, arruda e guiné. Hoje, queremos pedir a bênção de quem vem da Bahia, do Congo e da Guiné. Hoje, queremos agradecer a Pai Joaquim, Pai José, Vovó Cambinda, Maria Conga e toda a falange dos Pretos-Velhos. Hoje, mais do que nunca, queremos dizer: adorei as Almas!