Ogum: o guerreiro dos terreiros

Foto: Centro Espírita Caboclo Boiadeiro -Mãe Marizete

Por Alessandro Valentim

Um ano se passou desde que o mundo parou em razão da pandemia, contudo muitas atividades ainda não puderam ser retomadas como antes. Por exemplo, as tradicionais procissões de São Jorge, representado por Ogum no sincretismo, que pelo segundo ano consecutivo não poderão ser realizadas. As feijoadas abençoadas pela irradiação do falangeiro do exército do Santo Guerreiro, também precisarão esperar mais um tempo para serem realizadas.

 

Ainda que o cenário seja crítico, a fé de seus devotos não foi abalada, ao contrário, segue ainda mais forte e unida em orações, pontos e correntes. Assim como os seguidores de Jorge em suas batalhas na Turquia pela liberdade dos cristãos, os filhos e devotos de Ogum mantêm a esperança de que Ele trará a superação em sua espada, a vitória em seu escudo e dias melhores em seu cavalo branco.

 

Como diz o ponto “Eu não seria nada se não fosse Ogum para abrir a minha estrada’’.  O Orixá das batalhas é clamado pelos adeptos das religiões afro-brasileiras quando estão passando por alguma adversidade, ou melhor dizendo, quando os  “caminhos estão fechados” . Então, os joelhos se dobram e os pedidos chegam ao cavaleiro para ajudá-los na busca por um emprego, por uma promoção, aprovação entre outras coisas.

 

Seus filhos não negam a raiz. São incansáveis na luta pelos seus objetivos. Persistentes, persuasivos e com personalidade forte, combinam com os filhos de Oxóssi, o grande caçador, que é o sincretismo de São Jorge na Bahia. Então, seja nas matas ou na estrada, em algum lugar tem um legítimo guerreiro ouvindo as suas preces e brigando por você na ponte entre a vida terrena e a morada de Deus.

 

Azul no Candomblé, vermelho na Umbanda. O contrário. Os dois nas duas vertentes. Não importa! Quando cantar para Ogum, a assistência vai vibrar e se emocionar. Seja qual for o falangeiro: Ogum Iara, Ogum Xoroquê, Ogum Megê, Ogum Beira-Mar, Ogum Rompe-Mato, Ogum 7 Espadas etc. Grite: Ogunhê! E veja o terreiro ecoar um coro lindo e de muita fé.