Dirigentes de terreiro se reúnem pela liberdade da fé

Dirigentes e convidados reunidos para o debate sobre a liberdade religiosa./Foto: Vanessa Santos.

Por Alessandro Valentim

Mais de 50 terreiros participaram de uma reunião  que aconteceu no último domingo e teve como tema central a intolerância religiosa.

Para Denise, dirigente do Centro Espiritualista da Cabocla Jurema da Mata Virgem a Umbanda é uma religião de caridade e lutar pela liberdade religiosa é importante para que este trabalho, que ela descreve como ‘’amor’’, não tenha fim.

Mãe Denise e o primeiro ogan da sua casa, seu filho Pedro./Foto: Vanessa Santos.

A preocupação com a pauta foi compartilhada por todos os presentes, como é o caso de Babá Célio, dirigente da Ordem Espiritual Caboclo Cobra Coral.  “A importância desse evento é para divulgar a nossa religião e nos fortalecer dentro do âmbito religioso e político”.  Ainda nas palavras do dirigente, o fortalecimento da religião na política pode aproximar ainda mais os irmãos nos trabalhos pela fé.

Babá Célio./Foto: Vanessa Santos.

Dados da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos registraram em 2019 mais de 130 atos de violência motivados por intolerância religiosa, sendo todos, na maioria, direcionados às religiões de matriz africana.

Maicon de Xangô ao lado de sua esposa./Foto: Vanessa Santos.

Aproveitando o clima de esperança, os presentes responderam sobre quais as melhores formas de combater o preconceito. Para Maicon, representante do Centro Espírita Pai Oxalá e Vovó Cambinda levar a palavra de amor e carinho praticada na religião pode ser um caminho para ajudar na divulgação do conhecimento da doutrina adotada pela fé.  Glória, dirigente do Ilê de Oxum e Cosme e Damião completou a fala de Maicon falando sobre a educação e a humildade como bases fundamentais nas discussões sobre promoção à liberdade.

Mãe Glória./Foto: Vanessa Santos.

Ainda sobre o combate ao preconceito, a dirigente do Centro Espírita Templo de Ogum e Caboclo Rompe Nuvem, Carla Veiga chamou atenção para a visão das entidades. Segundo ela, a espiritualidade enxerga a alma das pessoas e as amam independente de religião, raça, classe social e orientação sexual.

Mãe Carla./Foto: Vanessa Santos.