Centenário de Bambina Bucci: um símbolo feminino da luta contra o preconceito

FOTO: Bambina Bucci

Por Alessandro Valentim

Junho está chegando ao fim e com ele uma lembrança que jamais será esquecida: o centenário de Bambina Bucci. Nascida na cidade de Lins, interior de São Paulo, era a caçula de 14 irmãos de uma família de imigrantes italianos bem simples. O nome Bambina foi uma homenagem dos seus pais a filha mais nova, já que “bambina” significa “menina” em italiano.

Esposa do saudoso Attila Nunes dedicou sua vida ao combate da intolerância religiosa e fez história na umbanda quando apresentou o programa de rádio Melodias de Terreiro. Com uma voz marcante e o dom da palavra, Bambina escreveu diversas orações como ‘’Prece ao alto’’, ‘’Gratidão’’, ‘’Sete penas brancas’’ e outras tantas que confortavam os corações dos ouvintes.

FOTO: Bambina Bucci em momento família com seu marido Áttila Nunes e seu filho, o atual deputado Átila Nunes.

Bambina se tornou um ícone da importância da mulher nos cultos afro. Apresentou por 30 anos o Programa Melodias de Terreiro e foi vereadora pela cidade do Rio de Janeiro por 16 anos, onde conseguiu a aprovação de diversas leis municipais que garantiram a igualdade religiosa. Seus atos não passaram despercebidos e motivaram fiéis como Paulo Mendonça de Xangô, dirigente da Casa de Magia Justiça e Amor. Para ele, o gabinete de Bambina era um ‘’verdadeiro congá sagrado de umbanda’’. O dirigente define como ‘’emoção imensurável’’ o momento em que as pessoas entravam na Câmara e viam o gabinete de Bambina, com uma mensagem de presença e respeito com as religiões de matrizes africanas.

Umbandista, vereadora, escritora e jornalista. Uma mulher forte, de inteligência viva e temperamento agitado. Assim, Bambina era definida por aqueles que a conheciam. Para compreender seu dom, comprometimento e sentimento pela Umbanda era preciso apenas ouvir seus inúmeros poemas e permitir que sua voz, muito elogiada pelos ouvintes, fosse à ponte entre o plano terreno e os guias de luz. Como dizia Bambina, “A luz é eterna para quem tem fé”.