IALORIXÁ E VEREADORA, MÃE MARA É VÍTIMA DE INTOLERÂNCIA NA BAHÍA.

Foto: Mãe Mara, vereadora e Ialorixá

Única ialorixá em um cargo eletivo na Bahia, a vereadora Mãe Mara de Ogum foi vítima de intolerância religiosa, na última semana, na cidade de Muritiba, no Recôncavo da Bahia, a 124 km de Salvador. O caso foi denunciado ao Ministério Público da Bahia e à Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial.

Uma montagem de fotos, publicada nas redes sociais e compartilhada também através de WhatsApp, fazia alusão de que a vereadora estava fazendo feitiçaria contra o radialista Antônio Matos, da Rádio Comunitária Muritiba FM, que teria negado um direito de resposta a ela.

“Ao me deparar com uma montagem daquela horrorosa denegrindo a minha imagem e a religião foi um susto muito grande, uma agressão à minha pessoa, ao povo de matriz africana. Para mim foi uma tristeza sem tamanho. Não tenho palavras para qualificar como me senti na hora. Faltou chão. Fiquei me perguntando como podem existir pessoas tão pequenas, tão más”, afirmou Mãe Mara.

No início do mês de abril, a vereadora Mãe Mara, que também é pré-candidata a prefeita da cidade, informou que fez a doação integral de seu salário para ajudar no enfrentamento ao coronavírus. Em entrevista ao radialista Antônio Matos, da Rádio Comunitária Muritiba FM, o prefeito de Muritiba, Danilo de Babão, disse que a parlamentar não fez a doação do salário.

“A doação do meu salário ainda não foi depositada como eu deixei disponível, porque o prefeito não sancionou a lei para que criar um fundo de combate à pandemia de coronavírus, então não tinha como depositar”, explica a vereadora. Mãe Mara também afirma que pediu direito de resposta no mesmo programa de rádio, mas teve o espaço negado.

“Eu pedi o direito de resposta, no mesmo dia entrei em contato, mas não fui atendida. O comunicador falou no ar que no outro dia era para eu estar às 7h30 lá para poder ter o direito de resposta, só que um dia antes ele entrou em contato com meu assessor dizendo que não seria possível, que não iria me receber, então na realidade eu não tive o direito de resposta. Eu fui simplesmente cortada”.

Fonte: correio24horas.com.br