Semana Santa é celebrada com limitações em razão do novo coronavírus

Gira no Templo de Ogum Megê/ FOTO: Henrique Esteves

Por Alessandro Valentim

 Com as restrições de isolamento, templos religiosos tiveram que achar uma solução para a celebração da Semana Santa a fim de manter a tradição. O auxílio da tecnologia com plataformas de transmissão garantiram missas, cultos e giras online das lideranças religiosas.

  Diz o ditado que ‘’para quem é do axé toda sexta-feira é santa.’’ Acontece que nesse período que antecede à Páscoa, as religiões de matrizes africanas acreditam que representa a criação do mundo. Para algumas casas é um momento de reunião astral e que após a quarta-feira de cinzas o portal de passagem espiritual se fecha até o sábado de aleluia. É comum neste sábado casas de umbanda realizarem as giras de aleluia, onde invocam todas as linhas de entidades da religião como um ‘’chamado de volta’’ e um início de novo período.

 Quando se fala do fim da quarta-feira de cinzas e sábado de aleluia estão falando da quaresma. Houve o sincretismo entre as religiões afros e Igreja Católica, em razão dos escravos precisarem simbolizar sua fé africana com elementos católicos para não serem descobertos, como por exemplo utilizar a imagem de São Jorge para representar Ogum. Com isto, muitas heranças vieram para os cultos afro brasileiros, mas a quaresma já era respeitada pelos africanos que celebram Lorogun acreditando ser um período em que os Orixás lutam uma guerra contra o mal para garantir o pão dos seus filhos.

Por sua vez, a Igreja Católica inicia a Semana Santa no Domingo de Ramos, que representa a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e termina no Domingo de Páscoa representando a ressurreição de Cristo. O Diácono Nelson Augusto Águia, secretário da comissão da arquidiocese do Rio de Janeiro para o ecumenismo e diálogo inter-religioso, explicou sobre o Tríduo Pascal, três dias antes da Páscoa e os rituais que acontecem nas datas como o ritual do lava-pés,  celebração litúrgica, vigília etc. De acordo com Nelson, as missas e rituais presenciais tiveram que ser canceladas em virtude do novo coronavírus. 

A data apresenta outras perspectivas em outras religiões, para os evangélicos a programação não se altera e a Sexta-feira Santa é uma data cultural. Acreditam que todos os dias devem ser aproveitados para levarem a mensagem de cristo para todas as pessoas. De outro lado, no judaísmo, o diretor de relações inter-religiosas da FIERJ (Federação Israelita do Rio de Janeiro), Paulo Maltz explicou que neste período comemoram a libertação do povo judeu da escravidão no Egito. São sete dias sem comer qualquer alimento que tenha fermento, pois na época, pela pressa, o povo judeu saiu do Egito e não teve tempo de assar o pão.

E independente das diferenças, os rituais foram feitos à distância. Todos em suas casas praticando sua fé, assistindo transmissão online de seus líderes e reforçando o sentimento comum entre todos, a fé. O presidente da frente parlamentar contra a intolerância e vereador, Átila A. Nunes, recebeu nesta Sexta-feira Santa, 10, no instagram @melodiasdeterreiro a Segunda pessoa do Centro Espírita Luz e Verdade, Renata Motta para uma live de oração pelo mundo em razão ao novo coronavírus e para uma mensagem sobre a data tão importante para as religiões. Os seguidores expressaram sua fé e formaram uma única corrente, a do amor.