Terreiros se unem no combate ao coronavírus

Gira no Templo Espiritualista São Judas Tadeu/ FOTO: Henrique Esteves

Por Alessandro Valentim

Profissionais da saúde dão dicas de como evitar contaminação nos templos

A maioria dos terreiros já está tomando medidas para ajudar no enfrentamento da disseminação do COVID -19. Muitos templos e axés, seguindo as recomendações do governo estadual, decidiram suspender ou cancelar temporariamente suas giras, evitando assim aglomerações para inibir a propagação do vírus.
O coronavírus, COVID-19, vem preocupando a saúde mundial tendo atingido mais de 100 países. No Brasil, até a publicação desta matéria, foram confirmados 234 casos, sendo 31 no Rio de Janeiro. Em São Paulo foi confirmada a primeira morte no país. Embora tenha sintomas parecidos com a gripe e letalidade de 3%, em casos piores o paciente pode vir a ter pneumonia e até insuficiência respiratória aguda. As principais medidas preventivas de acordo com o Ministério da Saúde são: evitar aglomeração, lavar as mãos, não levar as mãos aos olhos etc.
Nos terreiros são comuns os abraços e a troca de benção, onde se beijam as mãos. Esses costumes preocupam alguns médiuns e líderes religiosos, que já pensam em uma solução. Para Pai Ruy de Xangô (Ruy Leite) do Centro Espírita Irmãos Fé e Diretor da pasta Jovem Umbandista do Conselho Nacional de Umbanda, a higiene é muito importante para o combate. Em seu templo, o dirigente diz que irá colocar uma pia na entrada com álcool gel para todos lavarem as mãos. Na última gira decidiu que os filhos trocariam a tradicional benção, por um cumprimento à distância, com as mãos unidas simbolizando o sinal de amém. Além dessas medidas, o sacerdote informou que avisos serão colocados e as seções realizadas ao ar livre, no quintal do terreiro, pois evitar aglomeração em ambientes fechados é uma das recomendações.
– Pessoas com sintomas precisam evitar as giras e quem for deve lavar as mãos sempre. Seria fundamental que todas as casas tivessem álcool gel para a higienização das mãos, disse Cynthia Câmara, técnica de enfermagem e médium umbandista. Para ela, a troca de bênção à distância também seria uma opção válida para evitar a contaminação nos templos.
O enfermeiro e pai pequeno do Ilê Axé Ean Thuo Ojoro Odara, Alexander Lurahy, reforça a importância de não compartilhar itens pessoais e a preocupação com a troca de bênçãos. Para o profissional de saúde, hábitos como lavar as mãos e evitar o contato muito próximo são fundamentais no combate ao vírus.
Se você apresentar sintomas, procure imediatamente postos de atendimento. Sigam os protocolos de prevenção disponibilizados pelo Ministério da Saúde.