Energias: conceitos, tabus e preconceitos

De vez em quando, percebo a partir dos comentários de pessoas ao meu redor ou de diálogos com irmãos e irmãs, que ainda há certos tabus e preconceitos no que se refere às energias que nos cercam.

Tabus estes que levam, muitas vezes, à construção de conceitos equivocados e, por consequência, cristalizam definições preconceituosas.

Não vou falar aqui em vibração ou magnetismo. Para simplificar, trarei tudo para o campo das energias, pois, assim poderei me fazer entender melhor.

Há energias de todos os tipos na Criação, energias estas que nos cercam, encontram-se ao nosso redor, onde quer que estejamos.

Elas estão em todos os cantos da Criação, inclusive, aqui no plano material, mundo em que vivemos atualmente.

E se há todos os tipos de energias nos rondando, é preciso dizer que há as positivas e as negativas. Mas posso ir um pouco mais adiante, dizendo que há energias bipolarizadas, com seu polo positivo e seu polo negativo.

Então, alguém mais atento questionará: “Nossa, mas como pode uma energia atender ao bem e ao mal? Não seria mais correto separarmos em energias positivas e negativas, boas e ruins, benéficas e maléficas?”.

Respondo prontamente: Eu, André Cozta (assim como qualquer cidadão ou cidadã que a este texto chegar) não posso separar, classificar, reordenar, reorganizar absolutamente nada.

Simplesmente porque são energias divinas que estão na Criação, emanadas a partir do Seu Poder Original (Deus) e que obedecem a uma Lei de procedimentos, conhecida por nós como Lei Divina.

Breve observação: há de se provocar uma reflexão profunda acerca destas definições de bem e mal que nos foram colocadas na mente, ao longo dos tempos, pelas religiões estabelecidas.

Se há, de fato, o “bem” e o “mal”, questiono: onde eu estive outrora? Onde estou agora? Na minha mente limitada, só posso entender da seguinte forma: se há uma separação entre bem e mal, então, viveremos numa eterna guerra. Além disso, quem é do mal é um ser maléfico, enquanto, quem é do bem é um ser virtuoso?

“Ora, mas eu posso trazê-lo para o nosso lado, convertendo aquele ser maléfico e fazendo com que se torne um ser benéfico!”. Retruco:  cara irmã e caro irmão, raciocinemos juntos, trazendo aquele ser “maléfico” para a “virtude” sem qualquer trabalho esgotador de negativismos, estaremos poluindo o lado positivo com tudo o que ele tem de negativo entranhado em seu íntimo naquele momento.

Ou você acha, realmente, que milagres existem? Claro que não! Tudo se baseia numa Ciência Divina. Se as energias que o movem, naquele momento da sua caminhada e predominam em seus campos e corpos são negativas, então, precisa ter esses negativismos esgotados para, em seguida, ser banhado com energias positivas para que volte a imperar nos seus campos e corpos espirituais e energéticos, o equilíbrio.

E-QUI-LÍ-BRIO, eis a “palavrinha mágica”

Mais uma rápida observação: O esgotamento dos negativismos acontecerá quando forem utilizadas energias cósmicas (negativas) esgotadoras e consumidoras, para, então, em seguida, o processo de reequilíbrio ter início.

Conjuguemos o verbo equilibrar e perceberemos que nele encontraremos o X da questão.

As energias positivas e negativas sempre estarão à nossa disposição. O que nos leva à conclusão de que devemos aprender a trabalhá-las para o nosso bem-estar e da Criação.

Exatamente, irmãos e irmãs! Equilibrar positivo e negativo é a chave da questão! Ou você já viu uma pilha com dois polos positivos? Você tem, no seu alto e no seu embaixo, um polo positivo e outro negativo (chacras coronal e básico, respectivamente).

Onde você ou a pilha descarregariam os excessos energéticos, caso não tivessem, em si, polaridade negativa?

Usemos um exemplo prático e corriqueiro do dia-a-dia: se você mora em um condomínio, ele, com certeza, possui uma lixeira ou um espaço reservado para o lixo, não é mesmo? Então, pense, onde ficaria este lixo, caso não houvesse esta lixeira (polo negativo do seu condomínio)? Dentro da sua casa, no seu quintal ou varanda?

Agora, para entendermos um pouco melhor as polaridades energéticas, usarei dois exemplos comuns:

Energia Sexual

Percebo que algumas pessoas têm dificuldades enormes em lidar, definir e compreender sem tabus, dogmas e preconceitos, esta energia geradora fundamental na Criação.

O maniqueísmo* promovido por algumas religiões e por outros setores da nossa sociedade, especialmente, durante a história recente da humanidade, nos fez transformar esta energia em algo que não deve ser tocado e nem mesmo falado.  Porém, se retirarmos este véu dos nossos olhos, perceberemos que estaremos à frente de uma energia crucial e fundamental para a Criação.

A Umbanda nos mostra que só o conhecimento liberta, expandindo-nos e nos levando, a passos largos, rumo à sabedoria. Talvez, por isso, seja tão combatida ainda hoje na nossa sociedade. E nos mostra, em algumas obras psicografadas pelo Mestre Rubens Saraceni (recomendo: O Guardião das Setes Encruzilhadas, Aprendiz Sete – O filho de Ogum, O Guardião da Sétima Passagem… todas publicadas pela Madras Editora), a energia sexual sendo usada em faixas vibratórias negativas da Criação de forma destruidora e em faixas vibratórias positivas da Criação de forma renovadora, revivificadora, reconstituidora.

Então, o sexo não é algo distorcido, do qual não se deve falar. Esta energia está, também, nas faixas espirituais positivas.

E lá se vão por água abaixo as definições preconceituosas, dogmáticas, que servem única e exclusivamente para controle das mentes humanas. A energia sexual pode e deve ser usada para a elevação. Estudemos!

Energia Telúrica

Não foram poucas as vezes que vi estudiosos da espiritualidade, das energias e das coisas divinas, definindo a energia telúrica como “densa”, maléfica. Em seus conceitos equivocados, têm-na como sinônimo de “enterrar” algo ou alguém.

Primeiramente, vamos desmistificar o “denso”. Esta palavra está longe de ser associada ao maniqueísta termo “mal”. Denso deve ser associado a tudo o que é condensado. Nossa matéria é energia condensada, portanto, densa. Então, somos seres maléficos?

Lembro de alguém que, certa vez, disse-me ter feito um trabalho espiritual para libertar uma pessoa de uma magia negativa e fez uma associação direta do negativismo em questão para com a energia telúrica.

Então, pacientemente expliquei a esta pessoa que o elemento terra, fundamental em nossa vida, em nosso planeta, não deve ser associado erroneamente a algo maléfico. Terra é elemento transmutador e estabilizador. Pensemos: não fosse a terra, não teríamos chão para pisar.

Para reflexão: nós, umbandistas, cultuamos o mal ao reverenciarmos o Divino Obaluayê, a Divina Nanã Buruquê, a Divina Obá e o Divino Omulu? Obviamente, não! Assim como em tudo na Criação, as energias positivas e negativas estão presentes e, como já exemplifiquei neste texto, serão direcionadas conforme o seu operador determinar.

Tenhamos intenções positivas e usemos dos elementos e suas respectivas energias para o equilíbrio, estabilidade, harmonia, ordenação e bem-estar de tudo e todos na Criação.

Pegue uma tigela, coloque nela terra, acenda em cruz, à sua volta, 4 velas brancas, e peça a um dos Sagrados Orixás que citei anteriormente (ou a todos eles) que traga a estabilidade, concentração para a sua vida, para seu lar, sua família, que paralise todas as ações destruidoras.

Peça que recolha, ali, naquele elemento, toda e qualquer projeção negativa, todo e qualquer negativismo instalado em você, sua casa ou familiares. Estará atuando dentro dos ditames da Lei Maior e da Justiça Divina pelo equilíbrio e estabilidade da Criação.

Comece por você, sua casa e sua família a atuar usando da polaridade positiva das energias para o benefício do Todo.

Saravá fraterno a todos!

André Cozta

*Maniqueísmo: dualismo religioso sincretista que se originou na Pérsia e foi amplamente difundido no Império Romano (sIII d.C. e IV d.C.), cuja doutrina consistia basicamente em afirmar a existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal), em localizar a matéria e a carne no reino das sombras, e em afirmar que ao homem se impunha o dever de ajudar à vitória do Bem por meio de práticas ascéticas, esp. evitando a procriação e os alimentos de origem animal. Por extensão: qualquer visão do mundo que o divide em poderes opostos e incompatíveis. (Fonte: Dicionário Google)