Umbanda, ano novo e responsabilidade política

Por Átila A. Nunes

Em 2020, vamos definir não só os próximos 4 anos de nossa cidade. Muito provavelmente definiremos o futuro e a responsabilidade do nosso país. Explicarei melhor o meu ponto de vista mas, para isso, convido você a uma reflexão.

Vamos querer mais quatro anos de uma administração desastrosa, que vem acabando com Rio de Janeiro, e que está lá para atender a interesses de um determinado grupo religioso?

O livro polêmico

Marcello Crivella, além de pastor licenciado da Igreja Universal, é sobrinho de Edir Macedo, o mesmo bispo autor do livro relançado em agosto de 2019 com o título “Orixás, Caboclos e Guias: deuses ou demônios?”.

Em diversos trechos, o livro incita o ódio e o preconceito à nossa fé. Uma visão fundamentalista, que demostra todo o preconceito com os adeptos das religiões espiritualistas, especialmente as de matriz africana.

Para impedir a circulação desse livro, fomos ao Ministério Público Federal pedir que seja proibida a distribuição dessa publicação. Também criamos um abaixo-assinado virtual para que esse pleito receba o apoio de nossos irmãos. Fica aqui o convite para você entrar no site e também assinar: www.naoaolivrodoedirmacedo.com.br.

Não à toa, Crivella sofreu uma derrota ao ser o primeiro prefeito do Rio a ter 12 restrições determinadas pela Justiça à sua administração, impedindo-o de beneficiar, indevidamente, seu segmento religioso e discriminar qualquer outra fé.

“Fala com a Márcia”

Quem não se lembra do episódio “fala com a Márcia”, quando ele prometeu vantagens a pastores em uma reunião fechada no Palácio da Cidade? Episódio esse que embasou o pedido de seu impeachment apresentado por mim na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Mas, a minha atuação como vereador, além de combater uma administração incompetente e fundamentalista como a atual, também visa valorizar nossas tradições e o trabalho dos nossos irmãos de fé, apresentando projetos de lei e realizando solenidades para homenageá-los.

Nossos Pretos-Velhos, exemplos de humildade e generosidade, e Ogum, símbolo de luta e conquistas, foram homenageados em cerimônias muito especiais. Mantivemos a tradição de comemorar a data de fundação da Umbanda, quando se completou 111 anos desde sua anunciação.

Escritores e dirigentes umbandistas e candomblecistas foram reconhecidos pelo seu trabalho de fé e caridade. E uma parceria com a OAB Leopoldina, Bangu e Campo Grande, nos permitiu levar a estes bairros o Encontro de Direito à Liberdade Religiosa.

Conseguimos, ainda, aprovar a inclusão do dia do Jovem Candomblecista no Calendário Oficial da Cidade, assim como já havíamos feito com o dia do Jovem Umbandista.  A data será comemorada todo dia 05 de junho.

Também apresentamos uma proposta que institui o Conselho Municipal de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa. Foi um ano de muito trabalho em defesa da nossa fé!

Futuro

E assim chegamos a 2020, ano decisivo, não só para nossa cidade, mas também para o Brasil. A cúpula da Igreja Universal nunca escondeu de ninguém o objetivo de comandar o nosso País.

Edir Macedo também foi o autor do livro “Plano de Poder”, onde define um projeto para sua igreja fazer o presidente da república em um futuro breve. Esse projeto teve, na eleição de Crivella para prefeito, sua principal conquista até então. A partir daí a presidência da república seria uma questão de tempo.

Mas, o seu governo será lembrado como o pior que o Rio já teve. Além da incompetência, a experiência de um governo fundamentalista demonstrou de forma bem didática o estrago que esse projeto de poder pode causar.

Caberá aos cariocas, em 2020, dar um basta a essa experiência desastrosa e mandar um recado para todo o Brasil: bons governos só são possíveis respeitando princípios constitucionais e democráticos, com administrações que governem para todos, sem discriminação e preconceito. Estou certo que o futuro que desejamos para todos nós brasileiros passa pelo voto dos cariocas nesse ano.