Onde eu vejo Deus

Tenho percebido, nas minhas andanças, algumas peculiaridades, curiosidades até, que anoto para refletir posteriormente. A ideia é procurar entender a relação destas coisas com o que venho estudando na Teologia Umbandista, na Magia e na Filosofia.

A forma como muitas pessoas ainda enxerga Deus, nossa origem divina (que é, em si, nosso Pai Criador e nossa Mãe Geradora, concomitantemente), ainda é confusa.

Falo de pessoas que estudam a espiritualidade, trabalham nas mais variadas vertentes espiritualistas, bem como, na magia e na Umbanda!

Percebo também que o “grande favor” concedido a nós pela cultura cristã em colocar Deus atrás das paredes dos seus templos, afastando-o (a) dos seus seguidores, está enraizado no íntimo de alguns irmãos e irmãs.

Lembranças

Digo isso, por que, desde a minha infância, me incomodava ver nos templos de orientação cristã aquilo que eu denominava em minha mente “esconderijo divino”.

Por que tinha a sensação nítida de que era isso que os sacerdotes faziam: tiravam Deus do íntimo das pessoas, fazendo com que o buscassem fora. Isso, criando dependência… e aí, já sabemos como funciona todo o processo, não é mesmo?

Outro dia, zapeando a televisão, vi um pastor evangélico estrangeiro, pregando para seus fieis aqui no Brasil, ao lado de outro pastor que fazia a tradução simultânea.

E até gostei da sinceridade dele, pois, foi claro e disse em bom inglês (simultaneamente traduzido para o português), algo mais ou menos assim: “há muitos por aí pregando que Deus está dentro de nós. Mas ele não está, não se apresenta desta forma! Está fora e é a nossa salvação”.

Ao fundo, havia uma imagem de Jesus Cristo. Ficou bem claro que a intenção daquele sacerdote era fazer com que os seus fiéis buscassem Deus, na sua igreja, na sua pregação.

Sabe o que mais aprecio na nossa religião, a Umbanda? Ela não cobra, está baseada no amor.

Umbandista

Se você for a um templo umbandista, beneficiar-se, der as costas e nunca mais voltar, com certeza, aquele sacerdote ou médium que serviu de ponte entre você e o lado divino da criação, sorrirá satisfeito sempre que lembrar de você.

Caso aja de forma contrária a aqui descrita, tenhamos certeza, está contrariando os propósitos determinados pela lei de Umbanda.

Mas voltando ao que move este texto, tenho observado com muita atenção e curiosidade as várias definições de Deus.

E se tenho feito isso com relação aos irmãos que seguem outras doutrinas religiosas, tenho feito também com alguns que seguem a mesma que sigo.

Ainda também com tantos outros que, se não são umbandistas, são espiritualizados, espiritualistas, e até trabalham espiritualmente, na prática da caridade e do esclarecimento acerca do que é divino.

Deus está em tudo e em todos

Creio que este seja um ponto comum para quem a este texto chegou. Se está em tudo e em todos, está dentro de mim, de ti (leitor), mas também na água, no cristal, no mineral, no vegetal, no ar, no fogo e na terra.

O simples fato de estar em mim, em ti e em todos estes elementos, não quer dizer que neles (os elementos) ou em nós (eu e tu), haja um homem com barba branca longa ou qualquer outra imagem humanizada que possa ser construída por nossas criativas mentes.

Temos muita dificuldade em compreender, muitas vezes, a criação divina por conta de não conseguirmos visualizar vida, além do ser humano.  Muitas vezes, inclusive, acreditamos piamente que tudo o que há à nossa volta, foi-nos colocado por Deus para nos servir.

Então, esta nossa lógica “escravagista” nos faz pensar que tudo podemos. Sentimo-nos deuses e deusas, destruímos a criação, acabamos com a natureza e nos parece estar tudo certo.

Eu penso que, somente quando o ser humano conseguir, de fato, ver Deus dentro de si e também na natureza, só então recuará, retornará e recomeçará a sua caminhada.

Quando conseguirmos visualizar e compreender que Deus é, acima de tudo, consciência, que não precisa de formas (até porque é o Pai Criador e Mãe Geradora de todas as formas), que ele/ela está em tudo e que “fora” dele/dela não há nada, conseguiremos visualizá-lo(a) sem “fantasias”, ou seja, em tudo e em todos.

A vela que você acende religiosa ou “magisticamente” não é uma mera representação de Deus.

O que é real?

Se assim fosse, estaríamos vivendo num teatro, onde você representa que invoca Deus e tudo o que acontece está fora do que é real. Há naquela chama (assim como em todos os outros elementos), emanação divina.

E se há emanação divina, há uma forte realidade, muito além de uma mera representação. Há vida (pois há Deus presente, onipotente e onisciente) emanada pelas “portas” divinas, transmissoras de potentes energias, que são os elementos naturais.

Olhemos para os nossos íntimos, para os nossos irmãos, para a natureza à nossa volta. Vejamos Deus em uma árvore, como em qualquer outro vegetal, mas, vejamos também na água, no fogo, no cristal, no mineral, no ar, na terra e também nos seus derivados. Deus a tudo move. Onde não há sua divina presença, não há nada, não há vida.

Reflitamos, pois, se realmente voltarmo-nos para o íntimo, sentiremos vida pulsante, sentiremos Deus.

Esta é a nossa mensagem de fim de ano. Nós, umbandistas, cultuadores dos Orixás e guias espirituais de lei, em harmonia com Deus manifestaremos a nossa religiosidade de uma forma estável, ordenada e equilibrada.

E que possamos, em 2020, conquistar, com Deus no coração, todos estes predicados, além de tantos outros, que a harmonia divina pode nos proporcionar.

 

Um saravá fraterno!

Mais informações sobre o colunista, no link: http://www.caminhosdaevolucao.org/andre-cozta/