“Desgraça!”

Por Átila Nunes

 

Uma das características da Umbanda e do Candomblé mais significativa é o valor indiscutível da mulher à frente das sessões. A mulher ocupa um lugar de destaque, no comando de milhares de terreiros.

Creio que as religiões afro-brasileiras sejam uma das raríssimas no mundo onde as mulheres detém comando absoluto de seus templos.

 

Esse meu comentário veio a propósito de um comentário do pastor americano John MacArthur, da Grace Community Church, na Califórnia (EUA), sobre a ordenação de pastoras. O líder evangélico usou palavras fortes para descrever a consagração de mulheres como pastoras: “Desgraça”. Recentemente, ainda afirmou que o “cristianismo que não ofende não é bíblico”.

 

“Vá para casa! Não há nenhum caso que possa ser feito biblicamente para uma mulher pregadora. Ponto final. Parágrafo. Fim da discussão”, disse ele. “Só porque você tem a habilidade de vender joias no canal de vendas de TV não significa que você deveria estar pregando. Há pessoas que têm certas habilidades de venda, habilidades naturais para vender, elas têm energia e personalidade e tudo mais. Isso não a qualifica para pregar”, acrescentou.

 

O preconceito contra a mulher e a religião em outros casos

 

A postura enfática contra a nomeação de mulheres ao ministério pastoral não é exclusividade de John MacArthur. No Brasil, por exemplo, o pastor Antônio Gilberto, tido no meio pentecostal como uma das referências teológicas das Assembleias de Deus, se posicionou de maneira clara sobre o assunto, dizendo que “a Igreja vai prestar conta” a Deus por contrariar a Bíblia.

 

O pastor John MacArthur disse ainda à sua congregação em um sermão na semana passada que “empoderar mulheres torna os homens fracos” e que “homens fracos tornam todos vulneráveis ao perigo”.

 

Foto: reprodução Facebook

Durante a pregação, o pastor pontuou que “é impróprio que as mulheres falem em reuniões da igreja”. Em seguida, MacArthur explicou suas próprias opiniões sobre o assunto: “As mulheres devem manter a submissão aos homens em todas as igrejas em todos os tempos. Pastoras e pregadoras são a evidência mais óbvia de igrejas se rebelando contra a Bíblia”.

 

“As mulheres que pastoreiam e as que pregam na igreja são uma desgraça e refletem abertamente a oposição ao claro mandamento da Palavra de Deus. Isso é flagrante desobediência. As mulheres devem permanecer caladas nas igrejas”, ainda completou.

 

Agressividade contra a mulher na religião

 

O pastor se expressa de maneira agressiva, levando-o a definir que a presença de mulheres no comando de uma igreja é sinônimo de fracasso: “Deixe-me dizer uma coisa, se as crianças estiverem no comando, estamos com problemas. Se as mulheres estiverem no comando, estamos com problemas. E se você olhar com atenção para a nossa nação, terá que concordar que são mulheres infantis, jovens, inexperientes e ignorantes que estão subindo ao poder”.

 

Não me cabe julgar a religião dos outros, mas quando tomo conhecimento de notícias desse tipo, cada vez mais me orgulho de ser umbandista.

 

Toda força às mulheres na Umbanda e no Candomblé!