Um momento de purificação: a Umbanda e suas marés

Por Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas

Trago uma mensagem que, segundo a visão mediúnica, a partir da realidade em que vivemos no astral, pode auxiliar a quem se interessar no esclarecimento acerca de algumas questões correntes, no presente momento, no meio umbandista.

Por isso, iniciarei com uma metáfora sobre as marés, a partir da sabedoria de que elas variam ciclicamente conforme a rotação do planeta e, também, com as forças gravitacionais da lua e do sol. Em alguns momentos as encontramos calmas, em outros, revoltas, impressionando e dando a entender, a qualquer observador, que algo muito parecido com um “fim” se aproxima. Porém, mais cedo ou mais tarde, tudo se acalma e volta àquele estado que entendemos como normalidade.

Ou seja, o mar continua vivo, divino e cumprindo sua função designada por Deus, nosso (a) pai/mãe. Tais turbulências ocorrem na Natureza, de uma forma geral, e, invariavelmente, provocam purificação e renovação naquele meio. Quando tais mudanças se comprovam e são mostradas, as benesses promovidas são saudadas por todos que as observam e delas se beneficiam. Afinal, o meio natural, nada mais é do que o planeta como um todo; então, tudo aquilo que, dentro de um contexto natural planetário se manifesta, passa por ciclos e mudanças.

As manifestações naturais estão em tudo e em todos, desde o corpo celeste (que é o nosso planeta), passando por toda a natureza manifestada, incluindo, os seres vivos instintivos e racionais (onde estão incluídos os seres humanos). Assim começamos a entender que as religiões estão inseridas neste contexto, sujeitas aos ciclos e às variações das “marés”.

Há quem diga, neste momento, que a Umbanda está ruindo, falindo, descendo, entre outros predicados bem negativos! Eu, um Preto Velho, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas, vos afirmo: A Umbanda, como uma manifestação divina, natural e planetária, não acabará, não ruirá, não falirá. Apenas, num momento em que muitos se arvoram em mostrar-se como líderes salvadores, gananciosos e sedentos por um suposto sucesso (ilusório), ela está trabalhando, em seu próprio corpo manifestado no meio material, a sua autopurificação.

A maré está alta e agitada, mas, aguardemos e observemos a pureza e a cristalinidade da água quando esta baixar. Não há como curar uma ferida com pomadas e poções paliativas, mas, tão somente com remédios que vão à causa, cicatrizem-na e paralisem o mal por ela causado. Este é o tipo de coisa que acontece, o tempo todo, nos mais variados campos da vida.

Respeitar o sagrado é entender o divino como uma faixa superior na criação. Temos somente uma origem (à qual todos se habituaram a chamar de Deus) e que é, em si, masculina e feminina, não como gênero, mas, pura e simplesmente, como vibração.

Foi uma origem que deu início a tudo o que se conhece e também ao que não se conhece e que manifesta vida, neste e em um número incontável de planetas. E, em todos estes lugares, criou faixas divinas que garantem, naquele local, a sua sustentação…trocando em miúdos, a sustentação oriunda de Deus. As faixas divinas, sustentadoras localizadas nos corpos celestes, são habitadas por seres divinos que atuam incansavelmente pela manifestação correta, honrada e equilibrada da lei advinda de nossa divina origem. Portanto, todos os seres em evolução, saibam ou não, queiram ou não, vivem sustentados por estes divinos seres a partir destas divinas faixas.

Confundir esses seres, suas divinas funções, com a vida dos seres em evolução, nada mais é do que um ato insipiente de quem tem pouco ou nenhum conhecimento de como se dá o processo, no espaço e no tempo, que podemos chamar aqui de “expediente de trabalho divino”. E, realmente, posso afirmar, nenhum ser humano encarnado, neste momento, faz ideia de como tudo isso ocorre.

Humanizar divindades, confundi-las com seres humanos em evolução, “profanar” o sagrado, nada mais é do que um ato de ignorância, de desconhecimento. Em uma escola, aqueles que assim agem, ao final de um ciclo, são reprovados, e devem retornar ao estudo daquela (s) matéria (s). Pois assim está acontecendo com a autopurificação que a Umbanda está promovendo em si, aqueles que ainda não entenderam ou que insistam em não querer entender, logo mais, voltarão aos bancos escolares, reiniciando seus aprendizados.

Que as bênçãos divinas banhem a todos!

O texto, que foi compartilhado pelo sacerdote, médium, escritor umbandista e colunista do Notícias de Terreiro, André Cozta, está disponível no site: http://www.caminhosdaevolucao.org/