Ilê Axé Opô Afonjá divulga manifesto contra lançamento de livro sobre Mãe Stella, durante período de luto

Foto: Mário Cravo Neto

Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, desde 2008, o terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, localizado em Salvador, na Bahia, ainda vive um período de luto pela morte da Yalorixá da casa, Mãe Stella de Oxóssi, em dezembro do ano passado.

Famosa pela sua atuação à frente da religião, Mãe Stella é um símbolo de luta em defesa da fé e grande militante, sendo uma das primeiras mulheres do axé a combater o sincretismo religioso, pela mistura de santos católicos com orixás. Desde a despedida, o terreiro, localizado no bairro do Cabula, se resguarda ao direito de não participar e apoiar ritos ou manifestações de cunho religioso ou profano em memória dos ancestrais da casa.

Mesmo com esse posicionamento, a escritora e também Yalorixá, que atuou por 20 anos no terreiro, Cléo Martins, anunciou o lançamento de um livro sobre a religiosa, amanhã, dia 12, mesma data em que se comemoraria os 80 anos de iniciação de Mãe Stella. Em decorrência disso, os líderes da Sociedade Cruz Santa, divulgaram um manifesto, em repúdio à situação.

Para o Ilê Axé Opô Afonjá o momento é apenas de respeito ao luto: “não apoiamos, pactuamos e participamos deste lançamento. Inclusive a autora foi notificada para não usar o nome da casa ou da célebre Mãe Stella neste evento”.

Maria Stella de Azevedo Santos, nasceu em maio de 1925, no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador e morreu aos 93, em 2018. Além de ter sido a quinta zeladora do famoso Ilê Axé Opô Afonjá, assumindo a casa entre 1976 e 2018, ela foi enfermeira por 30 anos e como escritora, publicou 10 livros.

Todas informações na página do Ilê Axé Opô Afonjá, no facebook: @opoafonjá