Crivella diz “não” para eventos que cobram ingressos. E os religiosos?

Por: Átila Nunes

Tem algo de muito incoerente (o que é normal, tratando-se do Crivella) na afirmação do bispo-prefeito da Igreja Universal, de que “não mais subvencionará eventos que cobrem ingressos”, um recado para os carnavalescos. Isso me fez lembrar da “Vigília do Resgate”, um dos primeiros sinais de que Crivella, depois de eleito, usaria os equipamentos da Prefeitura para eventos religiosos.

No dia 23 de agosto de 2013, no primeiro ano de (des)governo, Crivella colocou à disposição da Igreja Universal a estrutura municipal para a realização da “Vigília do Resgate” no Sambódromo, incluindo guardas municipais, agentes da CET Rio, Rioluz, Comlurb e por aí vai.

O custo dessa estrutura nunca foi de conhecimento público, mas o que se sabe é que esse tipo de cessão “gratuita” é usado para justificar o empréstimo de equipamentos públicos para segmentos religiosos.

Quem não se lembra da gigantesca arrecadação de dinheiro naquele famoso “culto” da Universal no Maracanã, onde “obreiros” saiam carregados de dinheiro proveniente de doações estimuladas pelas promessas de cura?

Em 2013, no Sambódromo, a ‘Vigília do Resgate’, organizada pela Igreja Universal, começou às 23 horas e se estendeu até às 4h30. Anunciada por seus organizadores como uma “grande luta para ganhar almas”, a vigília reuniu milhares de fiéis, que lotaram o Sambódromo durante toda a madrugada.

Para comportar os milhares de fiéis que se dirigiram ao local, a Prefeitura do Rio montou um esquema especial de trânsito, desviando o tráfego de diversas vias no entorno do evento. Cerca de 500 ônibus foram fretados pelos organizadores da vigília, para levar os fiéis ao local…