Tradição é a força contra o preconceito religioso em SP

Foto: Folhapress/ Babalorixá Diego Montone, presidente do movimento Brasil contra a Intolerância Religiosa

De acordo com dados de um estudo realizado pelo Datafolha, 68% dos adeptos às religiões de matriz africana, afirmam que já sofreram algum tipo de intolerância religiosa no país. O número representa mais da metade dos praticantes desse tipo de vertente religiosa.

Em São Paulo, os umbandistas encontraram na tradição e história da religião a força para encurtar o espaço do preconceito. Um exemplo é o morador da zona leste da cidade, Ney Santos, um empreendedor de 37 anos, que há 25, segue a religião e está à frente de um terreiro em Itaquera.

Ele sentiu na pele o problema, quando foi buscar o seu filho na escola, usando as roupas características da religião afro. As vestes dele, que há 12 anos é Babalorixá, provocaram atitudes preconceituosas das crianças em relação ao menor. O menino de 7 anos, começou a ser visto de forma diferente, além de ser rejeitado.

Hoje, Ney Santos, é um dos umbandistas que tentam coibir o preconceito em São Paulo, através da informação e tradição e, assim como ele, outros membros religiosos que conviveram com a intolerância, mantem projetos para expandir o respeito em relação à crença.

O Babalorixá encabeça o projeto “Herdeiros do Axé”, que tem o objetivo de mostrar, a partir da ótica do Candomblé, os conhecimentos sobre cidadania e a criação do mundo para crianças e adolescentes das periferias.

Por enquanto, apenas os frequentadores do terreiro têm acesso as aulas do projeto, mas a ideia é torná-lo público o mais breve possível. Outro evento realizado no estado, ocorreu no início desse ano e reuniu seguidores das religiões de matriz africana e até empreendedores. Chamado de “Um axé pela vida”, o encontro foi organizado por terreiros.

Fonte: Folha de São Paulo