Átila A. Nunes vai à Decradi para reunião sobre os casos de intolerância Religiosa

Átila A. Nunes e o delegado Gilbert Stivanello, em reunião na Decradi Foto: Daniel Guimarães

Para tratar sobre os ataques criminosos às casas e terreiros de matriz africana, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, o vereador Átila A. Nunes, esteve com Gilbert Stivanello, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos Intolerância. Segundo o delegado, os traficantes envolvidos nesses casos de intolerância já foram identificados e as ações de combate ao problema já estão em andamento.

De acordo com os dados da Decradi, 95% desse tipo de registro, corresponde ao envolvimento direto de familiares e vizinhos, como o relato de pessoas que jogam tinta em roupas brancas, estendidas no varal dos próprios parentes, por eles serem praticantes da Umbanda ou do Candomblé.

Durante a reunião, o vereador também ouviu situações como a de parentes que chegaram a brigar durante um enterro, pois não queriam a presença de um familiar que estava com as suas guias em referência ao axé, no pescoço. Sobre a intolerância religiosa entre vizinhos, existem denúncias como a de um morador que contratou um carro de som, por se incomodar com o barulho dos atabaques de um terreiro local.

Para Átila A. Nunes, o atendimento específico realizado pela Decradi se torna ainda mais importante diante desses casos, e por isso, aproveitando a atuação do órgão, o vereador entregou nas mãos do delegado um estudo sobre o livro de Edir Macedo, “Orixás, Caboclos e Guias: deuses ou demônios?”.

A obra de 1997, do líder da Igreja Universal e tio do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, foi relançada na semana passada, mesmo diante de toda a polêmica por carregar fortes ofensas voltadas para as religiões de matriz africana.

No encontro, Átila reforçou que o livro se trata de uma ferramenta de incitação ao ódio religioso, “não podemos permitir, de forma alguma, a circulação deste livro. O que temos visto nesses ataques aos terreiros é o retrato puro do fundamentalismo religioso. O Edir Macedo deixa claro que tudo relacionado às religiões de matriz africana e até ao Kardecismo são coisas do diabo e, se o líder da Igreja Universal afirma isso, é lógico que muitas pessoas podem nos ver literalmente como inimigos”.

O delegado Gilbert Stivanello garantiu que vai estudar o caso para que, através dos termos jurídicos, possa lidar com a situação.