Obras que retratam o corpo negro e os Orixás, enchem de cores o salão principal do MAC Niterói

Um dos quadros da exposição "Abdias Nascimento: Espírito Libertador". Foto: Milena Ribeiro

Até o dia 4 de agosto, os amantes da arte podem conferir um espetáculo de história, reafirmação negra e visibilidade das religiões afro-brasileiras, a partir da exposição em homenagem a Abdias do Nascimento, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Cerca de 30 pinturas feitas por ele, que foi professor, ator, teatrólogo e artista plástico, podem ser vistas na curadoria batizada de “Abdias do Nascimento: Espírito Libertador”, disposta nas cinco paredes do salão central do MAC, desde abril.

Obra: Exu Black Power, 1969.
Foto: Milena Ribeiro

Abdias que é um dos principais ícones da luta pela igualdade racial em todo o mundo, nasceu em 1914, morreu em 2011 e deixou um enorme legado. Foi ele quem fundou o Movimento Negro Unificado, o Teatro Experimental do Negro, o Museu da Arte Negra e o IPEAFRO, o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros.

Exposição “Abdias do Nascimento: Espírito Libertador”.
Foto: Milena Ribeiro

É o próprio IPEAFRO que garante essa parceria com o MAC, promovendo a primeira exposição voltada para homenagear o artista, em um museu. A curadoria envolveu mais de 150 obras, entre as décadas de 60 e 90, nas quais ele dá destaque a representação do corpo negro, às narrativas religiosas afro-brasileiras e seus Orixás.

Obra: Xangô Rei, 1998.
Foto: Milena Ribeiro

Com o uso das formas geométricas, bordas de linhas pretas, explosão de cores e pintura de tinta acrílica e a óleo, a mensagem passada vai muito além do racismo estrutural, mas abrange também a invisibilidade dos artistas negros na considerada arte brasileira.

Abdias do Nascimento nasceu no interior de São Paulo; era seguidor do Candomblé; escreveu mais de 20 publicações; recebeu o título de Doutor Honoris Causa e, entre as atuações, foi professor emérito da Universidade do Estado de Nova York e professor convidado do departamento de Línguas e Literaturas Africanas da Universidade de Ifé, na Nigéria.

A exposição

Os visitantes do MAC, que fica no Mirante da Boa Viagem, sem número, podem conferir as obras entre terça e domingo, de 10h às 18h. A classificação é livre e os ingressos custam 10 reais a inteira e 5 a meia, sendo que pessoas nascidas em Niterói, moradores e ciclistas, têm direito à gratuidade.

Exposição no salão central do MAC Niterói.
Foto: Milena Ribeiro