Saravá, Preto Velho: casas com guias-chefe da entidade são homenageadas por Átila A. Nunes na Câmara Municipal

O Mês de maio é considerado como o período regente dos Pretos Velhos e como forma de celebrar a entidade, o vereador Átila Alexandre Nunes, concedeu homenagens para mais de dez casas que têm a divindade como guia-chefe.

Durante sessão solene, realizada ontem na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o vereador lembrou que “é preciso saudar os irmãos, já que eles estão à frente de casas que dedicam sua vida e seu tempo para ajudar o próximo.” Átila reforçou ainda que “se tratam de casas que dão mais do que recebem e muitas vezes é o zelador quem tem que conseguir manter o local em funcionamento”.

Diante do plenário lotado, ele revelou o apreço pelo Preto Velho em decorrência do grande exemplo de doação que representa. A opinião também é compartilhada pelo deputado Átila Nunes, que compôs a mesa, fez um relato sobre o preconceito que atinge não somente a religião e recitou o texto escrito pelo pai em homenagem a entidade. Em um dos trechos, ele destacou o clamor em forma de palavras: “Liberdade para os Pretos Velhos, para os filhos de Deus”.

Após a abertura, ambos seguiram para as homenagens individuais acompanhada de flores para os dirigentes dos templos religiosos. Entre eles, está a Tenda Espírita Filhos de Oxalá e o seu responsável Luiz Felipe da Silva, frisou que: “Na oportunidade foi possível enxergar a união entre os religiosos de matriz africana, tudo o que foi dito nesse dia marcante serve para que nós consigamos ultrapassar as barreiras da intolerância religiosa que são impostas pela sociedade diariamente”.

Outra homenageada foi a Tenda Umbandista Cabocla Jupira da Mata e Vovô Nazaré do Cruzeiro, através da Vânia Cristina Serpa Pereira. Para ela, “foi de grande importância, dentro do conteúdo da Umbanda e do respeito pela religião. As famílias presentes ficaram maravilhadas com esse reconhecimento”.

A maior honraria municipal também foi concedida durante o evento, como agradecimento ao escritor e membro da Academia Teresopolitana de Letras, Delmo Ferreira. Ele tem 45 anos de Umbanda e uma casa que completa 36 anos em 2019.

Com a justificativa de que ele é uma inspiração e referência para a Umbanda, o vereador Átila Nunes entregou a Medalha Pedro Ernesto e ouviu como resposta: “Essa emoção realmente é a maior da minha vida. Eu nasci no Dia Nacional da Umbanda, então, eu tinha que ser umbandista e para mim é uma honra também por essa celebração partir de uma família que há 70 anos luta pela resistência das religiões de matriz africana”.

Colunista do site Notícias de Terreiro, o escritor umbandista André Cozta também foi lembrado e recebeu uma moção de aplausos. Átila Alexandre pontuou a relevância do homenageado: “Tem que ter busca pelo conhecimento entre os nossos irmãos. Por isso, é mais do que justo destacarmos o trabalho dele que tanto anda por esse país e até fora do Brasil levando a bandeira do pai Oxalá”.

Após receber a Moção, André disse que em primeiro lugar o umbandista precisa se orgulhar de ser da Umbanda, porque quando você não se conhece, você tem vergonha de si próprio e quando falamos de intolerância, precisamos pensar também como está a tolerância dentro da própria religião.

O colunista concluiu o discurso com uma mensagem carregada de reflexão para o público presente. Para ele, a entidade está ligada a história de vida de quem vive a religião: “Quem aqui não gosta do Preto Velho? Ele é um mistério da sabedoria. O Preto Velho traz a paz e a harmonia para o ambiente religioso e nós temos muito a aprender com eles”.

Entre as homenagens, cânticos entoados pela voz marcante do compositor e umbandista  Tião Casemiro, levantaram os presentes do plenário que estava lotado. Ele também encerrou a sessão com o Hino da Umbanda e sob os aplausos, vibrou o refrão:

“Avante, filhos de fé
Como a nossa lei não há
Levando ao mundo inteiro
A bandeira de Oxalá…”

 

A medalha

A honraria Pedro Ernesto, que carrega o nome do político brasileiro, é a maior homenagem municipal concedida a pessoas que tem atuações destacadas na sociedade.

Preto Velho

Considerados como divindades purificadas e muito sábias, são espíritos que se apresentam sob o arquétipo de velhos africanos, que adoram contar histórias da época de escravidão. Na Umbanda, ele está associado aos ancestrais africanos.