Católicos e candomblecistas unidos contra a intolerância na Bahia

Há 12 anos, nasceu a Caminhada dos Ojás, na Bahia. O ato, organizado por adeptos do Candomblé, consiste em amarrar lenços brancos em árvores da cidade como forma de despertar as pessoas quanto à necessidade do respeito, além do repúdio aos atos de violência religiosa.

Vestindo branco, pais, mães e filhos de santo, simpatizantes do Candomblé, além de representantes de outras religiões, se reuniram no terreiro doGantois, no bairro da Federação, para clamar por paz, tolerância e garantia da liberdade religiosa.

De lá, após ato ecumênico – com tradições da religião de matriz africana -, seguiram em caminhada até o Pelourinho, passando pelo Dique do Tororó, Campo Grande e Corredor da Vitória. Juntos, amarraram os lenços brancos às árvores que encontraram no caminho. A previsão é que a caminhada se encerre só de madrugada.

O lenço preso nos troncos, em referência à paz, é simbólico, porque o Iroko [árvore] representa um orixá, ou seja, uma representação sagrada, como explica o coordenador geral do Coletivo de Entidades Negras (Cen), Marcos Rezende.

Entre 2013 e 2018, a Bahia registrou 135 ocorrências de intolerância religiosa. Conforme dados da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), houve um aumento de 450% nos casos de violência relacionada à religião. Em 2018, nos oito primeiros meses, foram 29 ocorrências no estado. O número já superou os 21 registros de 2017 e já se aproxima dos 32 casos de 2016.

Também vestindo branco, o padre Lázaro Muniz, parecia à vontade em meio aos espíritas, pais, filhos e mães de santo. Pároco da Catedral e Igreja do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, o religioso afirmou que a cerimônia é uma “luta de todos”.

“A cerimônia, em si, é do Candomblé. Mas estamos aqui para defender o fim de toda e qualquer intolerância religiosa. Nós [da Igreja Católica] já sofremos [intolerância] e fizemos outros sofrerem, porque é algo histórico. É uma luta de hoje para o futuro”.