FOI HÁ 40 ANOS QUE FANÁTICOS RELIGIOSOS FIZERAM 909 PESSOAS BEBER CIANETO.

Há 4 décadas, 909 foram induzidas ao suicídio pelo pastor Jim Jones, chefe supremo do Templo do Povo. Mais de 300 crianças morreram em Jonestown, um vilarejo na Guiana, sob as ordens de Jim Jones, o líder de uma seita

Em 18 de novembro de 1978, 909 pessoas – incluindo cerca de 300 bebés e crianças – ingeriram uma bebida famosa na altura: Fla-Vor-Aid. O refresco tinha cianeto. Foi o suicídio em massa dos membros da seita conhecida por Templo do Povo, mortes ordenadas pelo pastor Jim Jones. Só 12 sobreviveram.

O massacre aconteceu na selva de Guiana – a seita mudara-se para o país no norte da América do Sul. Antes do 11 de setembro de 2001, era a tragédia em que mais civis tinham morrido intencionalmente na história dos EUA. O líder da seita foi encontrado morto com um tiro na cabeça, aparentemente cometeu suicídio.

Não era a primeira vez que o pastor Jim Jones, que criara um “paraíso socialista” na selva de Guiana a que chamou “Jonestown”, obrigava os membros da seita a ingerir uma bebida supostamente envenenada.

Nas chamadas “noites brancas”, os que sobreviveram ao massacre recordam como a meio da noite, através dos altofalantes, ouviam a voz do líder a ordenar que saíssem de casa. Eram treinos para o que aconteceu há 40 anos. Ninguém sabia se esse seria o dia em que teriam de morrer. Não havia como fugir: Jim Jones tinha homens armados à volta do local, prontos a disparar contra quem não seguisse as ordens de um líder poderoso.

A influência de Jones – que desde os cinco anos era um fanático por religião – explica-se também pelo contexto social e político das décadas de 1960 e 1970. Oriundo de uma família pobre, nasceu e cresceu em Indiana

Uma das sobreviventes, Laura Johnson, já tinha um passado como ativista quando se juntou ao Templo do Povo na Califórnia, onde começou a seita. Tinha 22 anos. Ela contou como foi seduzida pelos ideais de Jim Jones, que falava de um iminente apocalipse nuclear e que após esse apocalipse a comunidade que estava a criar poderia viver de acordo com as suas próprias regras, mas era preciso sair da Califórnia.

Escolheu Guiana, um pais extraordinariamente remoto, para formar o Projeto Agrícola do Templo do Povo, informalmente conhecido como Jonestown, em homenagem ao nome do seu líder. Os membros viviam em casas partilhadas e subsistiam com o que cultivavam. Mas o lugar não estava projetado para tantos habitantes – na altura eram mil – e começaram a passar fome.

Laura Johnson era um dos membros mais comprometidos com a seita. Jim Jones pediu-lhe para se mudar para Georgetown – a capital da Guiana, a 24 horas de barco – para trabalhar na sede da igreja. Não estava em Jonestown no dia do massacre e só foi por isso que sobreviveu.

Na sua opinião, o líder sabia o que fazia: familiares de membros da seita estavam a pressionar altos dirigentes políticos para investigar a seita e estava marcada uma visita do congressista californiano Leo Ryan. A sobrevivente só poderia falar bem do templo do Povo: adorava-o.

Apesar disso, a mulher revela que o estado mental de Jim Jones deteriorava-se e a experiência de Jonestown começou a falhar. As pessoas acusavam-no de sequestrar os seus filhos e Jones vivia cada vez mais dependente de drogas, cada vez mais paranoico.

A visita de congressista acelerou o suicídio em massa.
Quando o congressista californiano Leo Ryan chegou a Jonestown, a 17 de novembro de 1978, tudo parecia correr bem. Mas alguns membros da seita passaram bilhetes aos jornalistas pedindo ajuda para fugir.

No dia 18, dia do massacre, a delegação política – onde estavam 12 membros que tinham pedido para se irem embora de Guiana – estava na pista do aeroporto para embarcar quando homens armados, sob as ordens de Jones, dispararam contra Ryan e o resto da comitiva. O líder do Templo do Povo sabia que o fim se aproximava e que a verdade sobre a seita iria ser descoberta.

Em Jonestown, a “noite branca” acabou por acontecer durante o dia: os 909 membros fizeram fila para ingerirem os copos de sumo com cianeto. As crianças – mais de 300 – foram envenenadas primeiro: o seu choro pode ser ouvido na gravação que estava a ser feita e que foi depois recuperada pelo FBI. Só 12 pessoas, que tinham fugido para a selva, incluindo uma idosa que estava a dormir durante o suicídio em massa – sobreviveram.

Laura Johnson recorda o dia. Contaram-lhe que tinham recebido instruções para se matarem. ‘Todos em Jonestown estão a morrer ou a ser mortos. Precisamos todos de cometer um suicídio revolucionário”, era a mensagem. Dois filhos de Jones recusaram-se a fazê-lo e dissuadiram quem não estava na comunidade a seguir as instruções.

Morreram, no total, 918 pessoas, incluindo as pessoas assassinadas na pista do aeroporto e o próprio mentor do Templo do Povo.

Um dos jornalistas que sobreviveu à emboscada no aeroporto contou que até os cães e o chimpanzé de estimação de Jonestown morreram ao lado dos moradores. Jones não pretendia deixar nada vivo, nem mesmo os animais, para testemunhar o horror final. Não haveria sobreviventes

No Brasil, algumas seitas já provocaram barbaridades, náo com um numero táo grande de mortos, mas que seguem a mesma linha de fanatismo, da mais pura idolatria aos dirigentes de seitas de fanáticos religiosos.

O primeiro sintoma é a intolerancia religiosa, por isso a nossa vigilancia permanente.