Viva Oxum, viva Nossa Senhora Aparecida: conheça mais sobre as lendas

Nos cultos afro-brasileiros, Oxum é sincretizada com Nossa Senhora Aparecida

Na sexta-feira, 12 de outubro, comemorou-se, não só o Dia das Crianças, mas também, o dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, que no culto afro-brasileiro é sincretizado com Oxum, orixá feminino ligado à maternidade, mais especificamente ao período da gestação. Além disso, a divindade também remete a riqueza, a prosperidade e ao amor de uma forma geral. Esta data é reverenciada pelos adeptos dos cultos como a Umbanda e o Candomblé.

Oxum, não só se relaciona com a figura feminina do ponto de vista da maternidade, como também, representa a beleza e a sensualidade da mulher. E mais do que isso: representa o sagrado feminino. Em seu arquétipo, traz a pureza e a sensibilidade, características que fazem com que em uma manifestação mediúnica seja comum a ocorrência de choro, devido à influência trazida por esta energia. Além de ser sincretizada com Nossa Senhora Aparecida, a divindade também possui sincretismo com Nossa Senhora da Conceição, no dia 8 de dezembro.

Senhora das águas doces, Oxum tem como pontos de força, os rios e as cachoeiras, e são nestes locais onde recebe suas oferendas. Por estar ligada à fecundidade, mulheres que cultivam o sonho da maternidade e que desejam engravidar e também ter uma boa gestação, entregam suas preces a este Orixá. Já sua ligação com a riqueza e a prosperidade, atrai pedidos voltados para questões financeiras.

Na Umbanda, suas cores podem ser o amarelo, o azul e o rosa. Já no Candomblé, as qualidades de Oxum cultuadas, mais conhecidas, são Òsun Abalô; Òsun Ijímu; Òsun Abotô; Òsun Opará; Òsun Ajagura; YeYe Oke; YeYe Ìpondá; Yeye Oga; Yeye Karé; Yeye Ipetu; Yeye Ayaalá; Yeye Otin; Yeye Iberí; Yeye Mouwò; Yeye Popolokun; Yeye Olókò. Nos cultos de nação, cada qualidade possui sua cor correspondente que em geral são claras como o amarelo, o dourado e o azul-claro com o branco, entre outras.

De acordo com a mitologia Iorubá, Oxum é a segunda esposa de Xangô, que também era casado com Iansã e Obá, respectivamente primeira e terceira esposa. E é no famoso Itan (conto) onde Obá corta a própria a orelha que surge a rivalidade entre as duas que disputam o amor do marido em comum.

A lenda conta que na intenção de monopolizar o amor de Xangô e sabendo o quanto ele era guloso, Obá planejava surpreendê-lo utilizando os segredos das receitas utilizadas por Oxum ao preparar os pratos preferidos de seu amado. Ao descobrir o plano de Obá, Oxum ficou irritada e decidiu pregar-lhe uma peça.

Um belo dia, Oxum pediu para Obá que fosse assistir um pouco mais tarde a preparação de uma determinada iguaria e lhe disse que o prato realizava maravilhas junto a Xangô. Obá apareceu na hora indicada e Oxum, tendo a cabeça atada por um pano que escondia suas orelhas, cozinhava uma sopa na qual banhava dois cogumelos.

Oxum mostrou-os a sua rival, dizendo-lhe que havia cortado as próprias orelhas e colocando-as para ferver na panela, a fim de preparar o prato predileto de Xangô. Este chegando logo depois tomou a sopa com apetite e deleite e retirou-se gentil e apressado na companhia de Oxum.

Na semana seguinte, era a vez de Obá cuidar de Xangô e ela decidiu por em prática aquela receita maravilhosa. Cortou uma das orelhas e a cozinhou em uma sopa destinada a seu marido. Este não demonstrou nenhum prazer em vê-la com a orelha decepada e achou repugnante o prato que lhe serviu.

Oxum apareceu neste momento, retirou seu lenço e mostrou que as suas orelhas jamais haviam sido cortadas, nem devoradas por Xangô. Começou então a caçoar da pobre Obá, que, furiosa, precipitou-se sobre sua rival. Seguiu-se uma luta corporal entre elas. Xangô, irritado, fez explodir seu furor.

Oxum e Obá, apavoradas, fugiram e transformaram-se nos rios que levam seus nomes. No lugar da confluência dos dois cursos de água as ondas tornam-se muito agitadas em consequência da disputa das duas divindades pelo amor de Xangô.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.