Influenciadores do Axé: veja a entrevista com Alexandre Cumino

Série traz entrevistas com 'influencers digitais' de Umbanda e de Candomblé

Umbandista há 22 anos, o sacerdote Alexandre Cumino possui canal no Youtube com 22 mil inscritos e ministrar cursos de Teologia através do Umbanda EAD. Foto: Reprodução/Facebook.

Até que ponto agregar o uso das novas tecnologias nos estudos teológicos é algo positivo? Será que essa enxurrada de informação trazida pela internet em algum momento pode ser prejudicial para o desenvolvimento do médium? Com o objetivo de trazer esta reflexão, através da série “Influenciadores do Axé”, o Notícias de Terreiro traz entrevistas com adeptos da religião que possuem canais ativos no Youtube.

Dessa vez, o entrevistado é o sacerdote de Umbanda Alexandre Cumino, que desde 2004 está à frente do Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca, Templo Escola que fica no bairro Ipiranga, em São Paulo. O paulistano de 45 anos se define como discípulo de Rubens Saraceni e, não por um acaso, ministra cursos de Teologia oferecidos pelo Umbanda EAD, plataforma pioneira no ensino à distância neste segmento. Além disso, o umbandista é autor de títulos como Fragmentos de Umbanda, e História da Umbanda, entre outras diversas obras lançadas pela Editora Madras. Seu canal no Youtube possui 22 mil inscritos e sua fanpage 21 mil curtidas. Confira!

Há quanto tempo você é adepto da Umbanda? Como se desenvolveu seu contato com a religião?

Nasci numa família espírita e em 1995 conheci a Umbanda. Em 1996, eu já era Pai Pequeno de um grupo que ajudei a formar. Sou sacerdote de Umbanda, dirigente espiritual, há 22 anos. Eu era espírita, e em 95 um senhor catador de papel me chamou pra conversar e disse que era Umbandista. Logo em seguida, fui conhecer um terreiro de Umbanda, me encantei e, junto com um grupo de pessoas, a gente começou um trabalho de Umbanda, sem ter um pai espiritual ou uma mãe. Depois é que eu fui conhecer Rubens Saraceni, que se tornou meu pai Espiritual.

Entre as características da Umbanda, o que mais te chamou a atenção para que você a adotasse como religião?

Eu já era espírita, então, eu já lidava com espíritos e acreditava na reencarnação. O que mais me encantou na Umbanda foi a magia da religião que nos pega por todos os sentidos. Pelos aromas da defumação, o ponto riscado, a vela e, principalmente, a oportunidade de conversar com o Preto Velho, o Caboclo… Com o tempo, eu fui me encantando pelas linhas, pelos Orixás e por todo esse universo mágico e religioso da Umbanda.

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O interesse na busca por um maior conhecimento da liturgia vem desde o início de sua jornada mediúnica ou se desenvolveu com o passar do tempo?

O interesse pelo estudo é meu desde sempre. Eu já tinha esse interesse quando era espírita. Ao chegar na Umbanda, o interesse permaneceu. Estudei todos os autores, todas as obras. E, quando eu conheci o Rubens Saraceni, me encantei pela quantidade de informação que ele vinha trazendo pela psicografia na Umbanda, de um forma inédita. Foi ele também quem criou os primeiros cursos de Teologia de Umbanda, o curso de desenvolvimento mediúnico e o sacerdócio livre e aberto a todos.

Em algum momento de sua jornada mediúnica como filho de santo você encontrou resistência por demonstrar interesse em buscar conhecimento? Por quantas casas você passou até se tornar sacerdote?

Nunca encontrei resistência e não passei por nenhuma casa. Eu já comecei abrindo uma casa. Com o grupo, nós abrimos uma casa que se chama “Eternos Aprendizes do Amor e da Fé em Oxalá”. Foi a primeira casa que eu participei e ajudei a fundar, na qual eu iniciei como Pai Pequeno, porque era um grupo de jovens e adolescentes e ninguém sabia nada de Umbanda. Em 2004, fundei o Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca. Eu não passei por nenhum dirigente, apenas tive o privilégio de me tornar discípulo e filho de Rubens Saraceni. Mas não foi ele que me desenvolveu, ele apenas me acolheu como pai, irmão amigo e tudo mais que a gente viveu ali nessa parceria de 22 anos.

Como surgiu a ideia da criação do Umbanda EAD? Você foi o principal idealizador?

O Umbanda EAD foi criado e idealizado pelo meu parceiro Rodrigo Queiroz e tem muitos parceiros, muitos funcionários, muitos participantes e a ideia foi do Rodrigo. Se não me engano, já tem 12 anos de funcionamento.

Assista ao vídeo sobre “Ancestrais na Umbanda”, de Alexandre Cumino:

Além dos inúmeros benefícios que os novos meios de comunicação trazem para o estudo da religião, você acredita que também possam existir impactos negativos?

Tudo na vida tem um lado positivo e outro negativo. Se a internet leva informação pra muita gente, essa informação tanto pode ser boa, quanto ruim. É ótimo a gente ter uma formação dentro do terreiro, mas é muito importante ter um conhecimento além do terreiro. Agora, aqueles que acreditam que só o conhecimento fora do terreiro é importante, o conhecimento da prática não caracteriza um aspecto negativo, pois existem adeptos que estudam muito, mas que não possuem nenhuma prática e, ainda assim, se acham mais importantes que alguém por terem mais conhecimento. Mas conhecimento não significa mais sabedoria, então, é preciso ter um equilíbrio entre prática, conhecimento e sabedoria.

Com a popularização da internet e a facilidade do acesso à informação, o Umbanda EAD passou a ter uma procura maior por pessoas que não são adeptas de cultos de matriz africana?

O Umbanda EAD é o primeiro portal de ensino à distância, então o Umbanda EAD tem muita procura desde que foi criado.

Você já recebeu ataques de haters motivados pela intolerância religiosa? Se sim, como você lidou com a situação?

Raramente recebo ataque de haters, ou de pessoas que não gostam de mim, ou do meu trabalho. Isso costuma acontecer na internet, mas quando eu recebo é muito simples. Eu simplesmente deleto e sigo a vida, porque não dá pra agradar todo mundo, e eu não pretendo agradar todo mundo, mas quando uma pessoa te ofende, ela tem problemas, né? Então como o problema não é meu, eu deixo o ofendido cuidar do seu próprio problema.

Assista a um dos vídeos disponíveis no canal do umbandista:

Qual é a sua expectativa para o futuro da religião, levando em consideração o impacto positivo que as novas tecnologias trazem?

A minha expectativa para o futuro da Umbanda é boa, do ponto de vista da quantidade de fontes de estudo e informação que existe hoje. E, ao mesmo tempo, não é tão boa do ponto de vista de tanta gente falando e divulgando tanta bobagem. Tanta informação sem crédito, sem fonte, sem nada. A Umbanda cresce e vai continuar crescendo e assim como crescem as coisas boas, também crescem as coisas ruins. Ou seja, o joio cresce junto com o trigo, irmão.

Você acredita que seu trabalho com o Umbanda EAD de alguma forma contribui para a desmistificação do preconceito aos cultos de matriz africana, em especial a Umbanda?

Eu tenho certeza que o meu trabalho, o trabalho da Umbanda EAD contribui muito para desmistificar a religião de Umbanda. Só pela Editora Madra eu tenho 11 títulos publicados. Entre eles, “Umbanda não é macumba” que, se não me engano, já está na terceira edição, “Médium – Incorporação Não é Possessão”, que já está na quarta edição. E “História da Umbanda”, que vai para a quarta edição. No Umbanda EAD, são milhares de pessoas tendo contato com informação com esclarecimento. No Colégio Pena Branca, presencialmente milhares de pessoas passam aqui todo mês. Então, é inegável a contribuição de todo esse trabalho para desmistificar a Umbanda.

Veja o episódio “Pombagira: Um novo olhar”, de Cumino:

E para finalizar, que mensagem você passaria para adeptos da religião que ainda se encontram presos à ignorância?

Para aqueles que estão presos na ignorância, eu não tenho mensagem nenhuma, nenhuma mesmo, minha mensagem é apenas para quem está querendo ouvir, para quem está querendo estudar. Para quem está preso na ignorância, a gente espera um dia que essas pessoas se interessem por algo que vai além da ignorância.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.