A mitologia dos Orixás sob a perspetiva da Psicologia

Psicólogo promove atividade que liga a mitologia africana à Psicologia Analítica

Psicólogo promove atividade que liga a mitologia africana à Psicologia Analítica

Uma das características que mais chamam a atenção para as religiões de matriz africana é a grande carga cultural que a liturgia possui e que é expressa de diversas formas. Uma delas é através dos mitos associados aos Orixás, que contam histórias que humanizam as divindades. E foi justamente esta herança da cultura afro que influenciou o psicólogo Ramon Salgueiro, de 25 anos a desenvolver um trabalho de análise psicológica da simbologia presente nestes contos.

Com experiência de dois anos em Psicologia Clínica, o jovem é formado pela Universidade Estácio de Sá, onde também é pós–graduando em Psicologia Analítica. Além disso, o carioca ainda passou pelo Hemorio, onde durante um ano fez o acompanhamento  de portadores de anemia falciforme através de análise neuropsicológica.

A iniciativa deu origem a encontros que ocorrem mensalmente e promovem uma análise dos contos africanos sob a perspectiva da Psicologia Analítica. De acordo com Ramon, a simbologia dos Orixás pode ser aplicada na interpretação de sonhos e em outros tipos de terapia. Por isso, a atividade possui como foco principal profissionais da área da saúde, mas também está aberta ao público em geral.

“Reconhecendo os símbolos referentes aos orixás, é possível reconhecer qual dinâmica psíquica está sendo representada pelas imagens que são sonhadas ou produzidas por quem está sendo analisado. A palestra é aberta a todos os interessados, do setor da saúde ou não”, explica.

Além da relação com a sua área de atuação, o jovem também é um grande admirador da religiosidade afro-brasileira. Entretanto, a proposta do encontro restringe-se apenas  ao ponto de vista da Psicologia. Por isso, é importante lembrar que a atividade não está diretamente relacionada à religiosidade. O encontro  vezes  teve sua última edição no dia  16 de junho, no Centro do Rio. A atividade que é ministrada por Ramon segue um cronograma de mitos por cada Orixá.

“Esse, aliás, é o motivo pelo qual eu começo a palestra deixando claro que não é uma iniciação litúrgica, mas imagética e de teoria psicológica, e que para obter a prática da relação com esses símbolos em ação, não há alternativa que não seja frequentar um terreiro. É lá que os mitos contados entram em ação nas danças, músicas e ritmos”, esclarece.

Para o jovem psicólogo, ele conseguiu juntar sua carreira profissional com algo que admira. Ele acredita que o fato de muitas pessoas que não são adeptas de religiões afro-brasileiras  se interessarem pelo curso representa uma mudança.

”Os curiosos são um indicativo de que o Brasil tende ao interesse, mas tem dificuldade de expressá-lo. Seja por não conhecer uma fonte confiável, ou um terreiro confiável, que é o problema de onde buscar referências. Mas os curiosos são pessoas que não vão juntar o conhecimento sacerdotal com o psicológico, nem psicólogos que vão agregar o conhecimento mitológico à sua prática clínica. São pessoas que estão lá pelo impulso de conhecer por conhecer. E, particularmente, eu gosto muito disso. No mais, eu espero que aqueles que não têm a experiência em um terreiro, se proponham a tê-la. Não necessariamente de forma religiosa, mas como experiência cultural de um dos fundamentos da sociedade brasileira” , finaliza.

Para mais informações sobre as atividades do psicólogo, acompanhe a fanpage Minha Querida Insônia, que pode ser acessado por este link: https://www.facebook.com/minhaqueridainsonia/

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.