Obaluaê: um Orixá detentor de um grande mistério

Sincretizado com São Roque, Obaluaê é saudado no dia 16 de agosto. Foto: Parra Rose.

Salve o Rei da Terra! Conheça melhor Obaluayê

De longe, Exu é o Orixá que mais é interpretado de maneira errada, mas não é o único a ser mal compreendido, não só por leigos, mas também, por alguns adeptos de religiões de matriz africana. No dia 16 de agosto, data de ontem, em que se comemora o dia de São Roque, devido ao sincretismo religioso, também é dia de saudar o rei da terra. Atotô!

Sincretizado com São Roque, Obaluaê possui o grande poder da cura e, ao mesmo tempo,  a capacidade de causar uma epidemia. Por ter o domínio de energias ligadas às enfermidades, é muito solicitado em casos de problemas de saúde, principalmente os mais graves. Além disso, é também o senhor da morte e é o responsável pelo processo de transmutação: após o desencarne, o espírito se desliga do corpo e inicia sua jornada no mundo espiritual.

Suas veste é representada pela palha, e é embaixo dela que estão escondidos os mistérios da vida e da morte. Por estar associado à morte, é uma divindade que representa a evolução, a mudança de um estado para o outro. Portanto, sua atuação também se estende ao processo reencarnatório. Seu principal ponto de força é o cemitério, também chamado de calunga pequena,  e sob sua irradiação trabalham as entidades que atuam na linha das almas, como é o caso dos pretos – velhos, e  junto com estes e Exu, rege a segunda feira.

Em cultos espiritualistas mais tradicionais considera-se que Obaluaê e Omulu sejam duas irradiações diferentes de um mesmo Orixá,  enquanto outros cultuam estas duas energias de forma independente,  onde Obaluaê corresponde ao Orixá mais jovem e Omulu Orixá mais velho. A energia correspondente a Omulu é sincretizada com São Lázaro, santo comemorado no dia 17 de dezembro. Assim como diversas outras questões relacionadas a este Orixá, este tema em específico também gera bastante controvérsia entre sacerdotes e estudiosos.

Em uma das lendas  da mitologia dos Orixás mais conhecidas, Obaluaê é filho de Oxalá e Nanã e nasceu com o corpo coberto por chagas, e sua mãe ao se deparar com seu aspecto o abandonou na praia. Ao sair para um passeio nas areias de sua morada, Yemanjá encontrou o cesto onde estava a criança abandonada  e o criou como se fosse seu filho. O tempo passou e o bebê abandonado tornou-se um grande guerreiro que passou a utilizar como vestes a palha da costa que cobre todo seu corpo, inclusive o rosto, porém,  o intuito não era esconder suas chagas, mas sim seu intenso brilho, como a luz do sol.  Um belo dia, Yemanjá chamou Nanã e a apresentou a seu filho já crescido que perdoou sua mãe apesar de ter sido abandonado e, desde então, passou a conviver com suas duas mães.

São Roque

São Roque é considerado o Padroeiro dos inválidos e cirurgiões e também é tido como protetor contra pestes, doenças físicas mentais, espirituais e demais epidemias.  Nasceu em uma família nobre, viveu na cidade Francesa de Montpellier, acredita-se que ao ter ficado órfão, teria dividido toda sua herança aos pobres e vivido como peregrino andarilho.

Vivenciou o período da peste negra, epidemia assolou a Europa em meados do século XIV e que dizimou metade da população.  Para não ocupar um leito no hospital,  escolheu um local para esperar sua morte, ao tomar banho em uma fonte próxima, sentiu alívio e então começou a melhorar.  Todos os dias, um cão vinha trazer-lhe um pedaço de pão e lamber as feridas, com o passar do tempo, São Roque curou-se da doença.