Tradição que atravessa gerações: conheça a história do Terreiro do Alaketu

Atualmente sob o comando de mãe Jojo, o ilê é um dos mais antigos do Brasil

Casa das Yabas no Terreiro do Alaketu, em Salvador (Ilê Maraoilaji). Foto: Divulgação/UFBA.

Salvador, sem dúvidas, é o reduto do Candomblé brasileiro. Mais do que isso, a capital baiana abriga históricas casas deste culto e que são de grande importância para a história da religiosidade afro-brasileira. Entre eles, o icônico Ilê Maroiá Láji , conhecido como Terreiro do Alaketu, um dos templos candomblecistas mais antigos fundados no Brasil por africanas descendentes da família real de Ketu. Até hoje, lá se segue a tradição de ter sempre à frente mulheres que sejam descendentes diretas de sua fundadora.

De acordo com a história contada, acredita-se que o terreiro tenha sido fundado por volta do século XVII pela africana Otampê Ojaró, membro da família real que, junto com sua irmã gêmea, foi capturada e trazida para o Brasil para trabalhar como escrava e por aqui assumiu o nome de Maria do Rosário Francisca Régis. Após obter alforria, voltou para a África, casando-se com Babá Láji e, depois de um tempo, retornou a Salvador, dando início a história do Terreiro do Alaketu.

Apesar de o período histórico ser apontado como a época em que o terreiro foi fundado, existem documentos formais que colocam em tradição tal informação. Mas de um jeito ou de outro, o Terreiro do Alaketu de fato é um dos ilês de Candomblé mais antigos fundados na Bahia. De lá pra cá, a casa consolidou-se também como um dos terreiros mais importantes dentro da história do Candomblé brasileiro, sendo tombado pelo Iphan em 2005 como patrimônio cultural do Brasil. Além disso, a casa de Axé também é reconhecida como Território Cultural Brasileiro pela Fundação Palmares.

Por conta da origem de sua fundadora, o Terreiro do Alaketu pertence ao culto de nação Ketu e em sua tradição preserva a importância da figura matriarcal, assim como ocorre na África. Por isso, a sucessão do sacerdócio ocorre de forma matrilinear. Ou seja, o cargo de dirigente só pode ser ocupado por sacerdotisas que sejam descendentes diretas da fundadora. Desta forma, após Maria do Rosário, o cargo foi ocupado por sua filha Acobiodé, em seguida, por sua bisneta Dionísia Francisca Régis e depois por Olga Francisca Régis, a mãe Olga de Alaketu.

Uma das mães de Santo mais importantes do Brasil, mãe Olga deu continuidade à tradição matriarcal, sucedendo sua tia-avó Dionísia Francisca Régis, assumindo o posto de dirigente do Ilê, ainda muito jovem, aos 23 anos. Mas, apesar da pouca idade e da grande responsabilidade, a Yalorixá foi preparada desde a infância por sua antecessora e responsável por sua iniciação para Iansã aos 16 anos. Falecida em 2005, a candomblecista ficou à frente do terreiro por 57 anos, e é sempre muito lembrada como uma grande líder religiosa. Conforme dita a tradição, desde 2005 o cargo de dirigente da casa é ocupado por Jocelina Barbosa Bispo, a mãe Jojó do Alaketu, filha carnal de mãe Olga.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.