A escalada da intolerância no Rio de Janeiro

Grupo realizava atividade religiosa no momento do ataque. Foto: Bebeto Karolla/ Folha de Búzios

Uma roça de Candomblé foi vandalizada pela quarta vez em Búzios na última 4ª feira, no Estado do Rio de Janeiro, durante o culto, como informou matéria do portal G1. As pedras atiradas, por pouco, quase feriram os frequentadores. A ocorrência foi registrada na delegacia da cidade como crime de intolerância religiosa.

O terreiro Kwe Ase Dôya Nidan funciona há mais de 30 anos no bairro e o último caso de vandalismo aconteceu no ano passado.

Segundo a líder religiosa Doné Fernanda D’Oyá, o terreiro foi apedrejado por adolescentes entre 15 e 17 anos. Os jovens teriam atirado pedras que chegaram a quebrar o telhado, e por pouco, não atingiram as pessoas que estavam no local. Uma atividade religiosa era realizada no momento do ataque.

Mãe de Santo quer um basta na intolerância. Foto: Bebeto Karolla – Folha de Búzios

 

Vou procurar hoje o general Richard Nunes e expor ao interventor federal a escalada da violencia religiosa no Rio de Janeiro.

A cada dia, cada vez mais consolida nossa convicção de que o preconceito é uma opinião não submetida à razão.

A religião serviu e serve como explicação/pretexto para perseguições, torturas e assassinatos em diversos momentos da historia, dos cruzados medievais aos fundamentalista do século XXI.

As religiões, que em principio deveriam servir para aperfeiçoar o ser humano, aproximando-o da divindade, têm sido responsáveis por manifestações acabadas de fanatismo.

Massacres, torturas, guerras, perseguições, intolerância e outras atitudes e praticas deploráveis tem testemunhado o que de pior o ser humano apresenta, e muitas vezes tais atrocidades são feitas em nome de Deus.

O problema dos que acreditam serem os únicos a professarem a “religião verdadeira” é suporem acreditar no Deus certo, demonstrar sua crença da forma certa e apoiar uma estrutura certa de poder religioso.

Certezas que, segundo eles, teriam sido reveladas pela própria divindade, daí não poderem ser contestadas ou sequer discutidas, certezas que tem sido impostas aos “nativos”, aos “infiéis”, aos “hereges”, aos que se desviam do caminho da “Verdade”.

Impostas a sangue e fogo pelos cruzados, pela tortura e pela fogueira às “bruxas”, por homens-bomba muçulmanos aos acidentais, pelo veneno liquido e gasoso aos adeptos e vitimas de certas seitas modernas de caráter messiânico.

Queimar mulheres na fogueira por possuírem um saber não referendado pela igreja, apedrejar adúlteras até a morte ou enterrar vivas as esposas junto com o cadáver do marido, em qualquer sociedade e em qualquer tempo são atitudes de fanáticos.

Entender o contexto histórico dessas manifestações não deve nos conduzir a justificar tais condutas. Pelo contrário.

Impossível argumentar com alguém que prefere nos agredir, invés de ouvir o que pensamos.