Intolerância em escola de Macaé por causa de um filme que aborda a luta de um capoeirista

Foto: Reprodução

Não tenho a menor dúvida de que foi mais um caso de intolerância religiosa. Uma professora de Macaé foi denunciada na ouvidoria da prefeitura por passar um filme que trata da cultura negra.

Sabrina Luz, do Colégio municipal Professora Elza Ibrahim exibiu a obra na aula de Geografia para alunos do 6º ano, que tem uma média de 12 anos.

Ela foi informada pela diretora que responderia a um processo o que a fez receber muito apoio dos professores e alunos da escola.

A obra foi o filme “Besouro”, que conta a vida de Besouro Mangangá, interpretado por Ailton Carmo, um capoeirista brasileiro da década de 1920. Segundo Sabrina, a obra é baseada em fatos reais sobre um levante no recôncavo baiano liderado pelo capoeirista.

É inquestionável que o problema é o fato da obra abordar as religiões afro brasileiras. O filme é alvo da intolerância religiosa, pois mostra os orixás. Ora, temos que defender uma luta constante na defesa da escola laica e da escola como espaço da ciência. A escola é laica e tem que separar o espaço da religião, da casa e da família com o da ciência na escola. Infelizmente, está mais difícil.

A professora revelou a denúncia num vídeo pelas redes sociais que já atingiu milhares de visualizações. A partir disso, nasceu uma mobilização de educadores para defender o cumprimento da lei que torna o ensino da história e da cultura afro e indígena no Brasil que promoveu um encontro com a exibição do próprio filme “Besouro”, realizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro e Indígena da Cidade Universitária de Macaé.

Diante da repercussão, a Prefeitura de Macaé recuou e afirmou que não abrirá um processo contra a professora.

É a conduta correta, já que tem que ser cumprida a Lei.10639/2003 que trata da Cultura Afro Brasileira e a 11645/2008 que trata da história e cultura dos povos indígenas.

Fonte: Jornal o Globo