Sem ele, não se faz nada: saiba quem é Exu

Foto: Henrique Esteves/Divulgação

Uma das maiores mentiras sustentadas pelo preconceito que ainda hoje persegue as religiões de matriz africana é que o Orixá Exu está associado à figura do diabo criada pelo Cristianismo. Mas a verdade mesmo é que, sem Exu, não se faz nada. Afinal, é ele o responsável pelo movimento de tudo que existe. Sincretizado com Santo Antônio, é reverenciado no dia 13, última terça-feira pois, assim como o santo, considerado casamenteiro, este Orixá exerce influência sobre as ligações amorosas. 

De todas as divindades do panteão africano, Exu é, sem dúvidas, a figura mais controversa. Essa visão se dá pelo fato deste Orixá trazer dentro de si as contradições inerentes ao homem. Por isso, entre todas as divindades, é o que está mais associado à figura humana. Seu ponto de força são as encruzilhadas e os caminhos em geral. Sua relação com os caminhos está diretamente ligada à sua capacidade de gerar movimento às coisas.

Sem Exu, não se faz nada, pois esta divindade também possui o caráter de mensageiro, sendo aquele que é o responsável pela ligação entre o Àiyé (mundo material) e o Orun (mundo espiritual). É graças à sua atuação como comunicador que se torna possível o contato com os demais Orixás. Além disso, é também, responsável pela ordem, pela proteção e pela disciplina. Logo, é um grande guardião das casas de santo.

Por conta de sua ação como protetor nos cultos de nação, antes do início de qualquer ritual, lhe é oferendado o padê, para que tudo possa correr bem, livrando o ambiente de toda e qualquer perturbação. Entre suas diversas qualidades cultuadas na liturgia candomblecista estão Okòtò, Exú Oba Babá Exú, Exú Odàrà, Exú  Òsíjè, Exú Elérù, Exú Enú Gbáríjo, Exú Elegbárà, entre outros. Já no culto umbandista, antes do início dos trabalhos é de costume saudar a porteira da casa, onde são reverenciados os Exus responsáveis pela esquerda do templo e também pela tronqueira. 

Assim como outros Orixás do panteão africano,  geralmente não é inserido entre os Orixás reverenciado na Umbanda, porém, em algumas vertentes mais ligadas à ancestralidade africana, é possível que seja cultuado.  Mas como se sabe, de uma forma geral, na liturgia umbandista costuma-se ter uma atuação mais efetiva de espíritos que trabalham sob sua irradiação. Estas entidades por sua vez são conhecidas como Exu, ou Exus de Umbanda, e dentro desta linha incluem-se também  as Pombagiras ou Pombogiras. Portanto, assumem também a função de protetores e mensageiros entre o plano físico e o espiritual.

De acordo com a mitologia Iorubá uma das lendas conta que Exu sempre foi o mais alegre e comunicativo de todos os Orixás. Ao criá-lo Olorun lhe delegou as funções de comunicador (daí seu caráter mensageiro), e elemento de ligação entre tudo que existe. Por conta disso, nas festas que eram feitas no orun ele tocava tambores e cantava, trazendo a alegria a todos, até que um dia, os Orixás acharam que o som dos tambores e dos cânticos estavam altos demais.

Por não verem com bons olhos toda a agitação levada por Exu, eles lhe pediram que toda a atividade barulhenta fosse cessada para que a paz se instaurasse novamente. Depois disso, Exu nunca mais causou alvoroço tocando seus tambores, respeitando a vontade de todos. Entretanto, algum tempo depois em uma destas festas os demais Orixás começaram a sentir falta de toda a alegria trazida pela música de Exu, pois as cerimônias ficavam mais bonitas ao som dos tambores.

Foi então que novamente eles se reuniram para pedir a Exu que voltasse a levar música para as festas, pois sem elas as celebrações ficavam muito sem vida. Exu por sua vez, se negou a atender o pedido por ter ficado ofendido quando outrora sua musicalidade ter sido reprimida, prometendo dar a função para a primeira pessoa que encontrasse. Logo apareceu um homem chamado Ogan, e a ele foi delegada a missão de tocar tambores e entoar cânticos para animar todas as festividades dos Orixás. Deste dia em diante, homens que exercessem tal função, seriam respeitados, passando a ser chamados pelo nome Ogan.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.