Atividade traz dança dos Orixás e afro primitiva

Carlos Muttalla promove aula de dança afro. Foto: Divulgação

No último sábado (26), ocorreu mais uma edição do Aulão de Dança Afro, sob o comando de Carlos Muttalla, no Largo de São Francisco da Prainha, na Saúde, Centro do Rio. Durante a atividade, que é aberta ao público e sempre ocorre no mesmo local, no último sábado de cada mês,  são ensaiadas danças inspiradas nos Orixás e também a dança afro primitiva, que expressa a simbiose entre o homem e a natureza.

Batizada de Kizomba, a aula aberta teve o local escolhido como forma de homenagear a bailarina Mercedes Batista, primeira Bailarina Negra do Rio de Janeiro.

“No Largo de São Francisco, da Prainha há inclusive uma estátua em sua homenagem. A artista foi também a primeira bailarina negra a se apresentar no palco do Theatro Municipal”, ressalta Mutalla.

Com 30 anos de carreira, o ator e dançarino, de 58 anos, é formado pelo Centro de Dança Rio, e também possui formação em Teatro pela Unirio. O artista, que é natural de São Luiz do Maranhão, veio para o Rio de Janeiro aos 15 anos de idade, e desde então não voltou mais para a sua cidade natal. Apesar de não ter vindo para a Cidade Maravilhosa com o principal objetivo de se estabelecer como artista, as primeiras oportunidades logo foram surgindo.

Eu vim parar no Rio janeiro para ser sargento especialista da Aeronáutica. Era o sonho dos meus pais. Eu já fazia dança e teatro de forma amadora na escola, escondido da família. Acabei mantendo escondido e, quando eu vim pro Rio, começaram a surgir oportunidades, conforme fui conhecendo pessoas do meio”, conta.

Ao longo de sua carreira, Muttalla já realizou diversos trabalhos como coreógrafo, passando por grandes Escolas de Samba como Mangueira, Imperatriz Leopoldinense, Viradouro, Porto da Pedra, entre outras. Em 2017, foi responsável pela Direção de Movimento do musical Chica da Silva, dirigido por Gilberto Gawronkski e há dez anos é coreógrafo do Afoxé Filhos de Gandhi do Rio de Janeiro.

Em cena

Já em sua carreira como ator, há três anos interpreta variados personagens no monólogo “Cores da Margem” pela Cia.L2C2 Teatro e Dança. O espetáculo é de direção de Luiz Monteiro.

“Fiz um trabalho de máscara com o Grupo Amoc e, a partir desse, tivemos a ideia de contar a história de um Girot. No começo, eu tive medo por ser algo novo. O L2C2 foi criado justamente para este trabalho ”, explica.

A peça, que é a primeira em um projeto solo de Carlos, já ganhou 15 prêmios. Entre eles, o Edital Prêmio Funarte. A próxima temporada está prevista para estrear no mês de agosto, e ficará no Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes, na Zona Norte. Já no mês de setembro, no Teatro Glaucio Gil, em Copacabana, Zona Sul. No monólogo performático, Carlos divide o palco com o percussionista Leonardo Dias.

“O espetáculo é um desafio. Um monólogo performático, explorando um vasto recurso das artes cênicas. Com a ajuda dos Orixás, uma ambientação orgânica, é um movimento único de um Griot e da loucura de uma pessoa para os seus comuns. É intenso e amargo como o café, é negro, é quente e misturado”, conta o artista que há 25 anos é adepto da Umbanda e faz parte da Colina de Xangô, casa comandada por mãe Eulicia.

Com um foco maior à carreira como ator, Mutalla já trabalha uma nova trama, que irá se chamar  “3 de Encruza”. A obra, ainda em processo de pesquisa, será baseada na vida de Abdias Nascimento, Malcom X e Carlos Moore. A esposa do primeiro, Elisa Larkin, é colaboradora. Além disso, estão sendo promovidos encontros  com a equipe, com debates. A cada 15 dias, nas quartas-feiras, também são promovidos encontros abertos no Terreiro Contemporâneo, na Praça da Cruz Vermelha, a partir das 19h.

Para mais informações sobre o Aulão de Dança Afro ou outros projetos, entre em contato com o responsável pelo telefone: (21) 99109-0237.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.