Iansã: conheça a Senhora dos Ventos e Raios

Iansã é a Rainha dos Raios. Foto: André Mellagi/Divulgação

Senhora dos ventos e dos raios, aquela que manifesta seu poder através das tempestades, possui comando sobre os eguns (espíritos desencarnados), os encaminhando para seus devidos lugares. Na África ela é Oyá, no Brasil é Iansã, ou Yansã. Seja lá ou aqui, esta divindade é tida como uma grande guerreira.

O nome Oyá teve origem no maior e mais importante rio que atravessa a Nigéria, chamado Niger. Ele corta todo o país através de seus afluentes e, por este fato, é conhecido como Odò Oya. Ya em Iorubá significa rasgar ou espalhar. Acredita-se que este rio é a morada da mulher mais poderosa da África negra, a mãe dos nove orum, dos nove filhos e também do rio que possui nove braços. Por esta associação ao número nove, ou Mèsàn na língua Iorubana, cria-se o nome Yansã, Iyá(mãe) Mèsàn (nove).

Ainda sobre a origem do nome Iansã, como é mais comumente conhecida e cultuada no Brasil, conta-se também que ele foi dado à ela por Xangô, com o significado de “A mãe do entardecer”. De acordo com a mitologia africana, o rei da justiça é a grande paixão de Iansã. Em diversas lendas os dois são tidos como grandes companheiros. Os dois dividem juntos o poder dos raios e, por conta disso, acredita-se que ao saudá-la após a ocorrência de trovões, a reverência se deve pelo fato de Iansã ser uma das esposas mais apaixonadas de Xangô. “O senhor da justiça não atingiria quem lembrasse de sua amada”.

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Em uma das diversas lendas referentes à relação entre estas duas divindades, uma das mais famosas é a de que, em uma ocasião, Xangô foi visitar seu irmão, Ogum, e conheceu sua então companheira Iansã. Ao avistá-la, logo apaixonou-se, sendo correspondido por ela.  Foi então que Iansã abandonou Ogum para ir viver com Xangô em Oyó. Algum tempo depois, com saudades de Ogum, Iansã voltou para os braços de seu antigo companheiro. Xangô, furioso, convocou seu exército, atacando o reino de seu irmão. Enquanto lutavam, Ogum mandou Iansã para o reino de Oxóssi. Ao sair vencedor da batalha, Xangô foi buscá-la, porém, ela havia se casado com  ele. Assim como fez com Ogum, Xangô atacou Oxóssi que a mandou para o reino de Omulu. A história tornou a se repetir até que, por fim, Iansã foi mulher de todos os Orixás. Mas, no fim, Iansã e Xangô voltaram a viver juntos.

Tanto no Candomblé, quanto na Umbanda a Senhora dos Raios é associada à figura da mulher guerreira, de temperamento combativo, que não foge à luta e sabe exatamente aquilo que quer. Por este fato, é destaque entre as Orixás femininas, por estar mais próxima de terrenos tradicionalmente consagrados à figura masculina, já que está sempre pronta para o combate. Na Umbanda, é sincretizada com Santa Bárbara no Catolicismo, sendo reverenciada no dia 4 dezembro, dia dedicado ao Cristianismo.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.