Performance ritualística inspirada no poema “Padê de Exu” estreia nova temporada

“Libertador- Performance ritual Padê de Exu” entra em cartaz nesta sexta-feira, no Rio

Thiago Viana é quem atua no espetáculo. Foto: Divulgação

Nesta sexta-feira (11), às 19h, estreia no Teatro Gonzaguinha, a nova temporada do espetáculo “Libertador- Performance ritual Padê de Exu” com eventos complementares em referência aos 130 anos da abolição da escravatura. O local de apresentação, no centro do Rio, foi estrategicamente escolhido por estar próximo a um ponto que possui grande importância histórica para a cultura negra.

Nesta temporada, o público pode se deparar com algumas novidades, garante Thiago Viana, ator que interpreta o monólogo e que também é responsável pelo roteiro.

“Sempre tem algum detalhe que damos ênfase. Desta vez, as apresentações irão acontecer em um teatro que fica em um local que, no passado, foi o coração da Pequena África, em frente ao Terreirão do Samba, do lado da Marquês de Sapucaí. Estamos preparando algumas surpresas”, revela o artista de 29 anos.

O espetáculo também terá em sua pré-programação palestras e cafés literários, que tem como proposta trazer uma nova visão, por exemplo, quanto a obras literárias lançadas por artistas negros.  Além disso, serão abordados também temas como genocídio, racismo, exclusão, empoderamento, entre outros assuntos. A iniciativa contará com a presença de nomes do cenário literário afro-brasileiro. São alguns deles: Ele Semog, Renato Nogueira, Eliane Alves Cruz, Fábio Kabral e Taís Espírito Santo. A atividade é gratuita e ocorre antes do início do espetáculo, às 15h. A abertura contará com o texto do ativista e filósofo Rodrigo França.

“Temos uma gama de de autores lançados pela editora Malê que cada vez mais precisam ocupar a cena literária do país. O objetivo é trazer uma reflexão sobre o que não veio no bojo da sonhada liberdade e que se reflete até hoje no modelo de sociedade brasileira”, explica.  

Em cartaz desde janeiro, a peça apresenta uma narrativa dinâmica que traz recortes que se complementam e se movimentam entre a presença de Exu na criação do mundo. A produção mostra o alcance da necessidade de combate às práticas de violências submetidas aos templos de matrizes africanas e a reflexão sobre questões sociais emergentes da população negra.  Sob o som da percussão que fica por conta do músico Marcos Run, a performance ritualística é baseada no poema “Padê de Exu”, de Abdias Nascimento.

A obra é produzida e desenvolvida pela Cena Portuária Produções, que tem previsão de estrear outra performance ritualística no fim do ano.  Desta vez, o foco será Ogum, divindade que faz parte do panteão africano.

“O projeto Libertador é muito grande. A cena Portuária Produções vai desenvolver e produzir mais de 15 espetáculos que irão acontecer nos próximos 20 anos. A previsão é que, em novembro,  estreemos a performance ritual Ogunhê”, adianta.  

“Libertador- Performance ritual Padê de Exu” estreia nesta sexta feira (11), às 19h, no Teatro Gonzaguinha, que fica na Rua Benedito Hipólito, no centro do Rio, em frente ao Terreirão do Samba. A temporada é de todo o mês de maio, com apresentações às sextas-feiras (às 19h), sábado, (às 15h) e domingo (às 17h). Os ingressos custam R$30 a inteira e R$15 a meia.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.