Pernambucano descobre seu lado artístico e cria loja “Santuário Relicário”

Itens artísticos formam um belo gongá. Foto: Divulgação/Santuário Relicário

Nem sempre temos conhecimento de nossos próprios talentos e certas habilidades levam algum tempo para que sejam descobertas até que as circunstâncias sejam favoráveis para tal. Após mudar-se para o Rio de Janeiro, onde vive há 8 anos, o pernambucano Junior Alves, de 44 anos, descobriu o seu lado artístico. A atividade deu origem a loja virtual Santuário Relicário, no Facebook, onde expõe produtos que também são dedicados à religiosidade afro-brasileira.

“Em Pernambuco, tive experiência com produção de figurino para quadrilhas juninas, que é uma cultura muito forte por lá, assim como é o carnaval aqui, mas realmente me descobri como artesão aqui no Rio”, comenta.

Há cerca de quatro anos, o artista confecciona e comercializa itens como oratórios, relicários, estandartes, luminárias, imagens de gesso, camisetas, entre outros. Junior desempenha todo o trabalho sozinho, desde o processo criativo, até a divulgação de suas criações. Além disso, o pernambucano também expõe seu trabalho fora da web, marcando presença em tradicionais feiras que acontecem em alguns bairros cariocas.

“Exponho meu trabalho em pontos fixos como a feira da General Glicério, que acontece em Laranjeiras todos os sábados. Aos domingos, também estou na feira da Glória e tem a feira da Lavradio que acontece todo primeiro sábado de cada mês”, enumera.

Além disso, o artesão também participa de eventos como a Feira Africanidades, que acontece uma vez por mês na Cidade Nova, centro do Rio, e marca presença nos eventos da Casa Omolokum, na Pedra do Sal, também na região central do município.

Simpatizante da Umbanda, o contato do artesão com a religiosidade afro se dá através da Tenda Espiritualista Caboclo de Oxóssi, localizada em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. Ele a frequenta há quase um ano.

“Eu falo que eu estou umbandista, mas eu não me considero ainda umbandista porque eu quero conhecer a religião um pouco mais a fundo. Mas, também sinto uma influência do Candomblé. Na hora de criar, sempre me vem a intuição de cores relacionadas ao culto candomblecista”, explica.

Manifesto na Estação Primeira de Mangueira

No carnaval deste ano, algumas escolas de samba foram destaque na Sapucaí pelo tom de protesto em seus enredos. Entre elas a Mangueira, que levou para a Avenida o enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”. Em seu primeiro carro alegórico, havia uma silhueta de braços abertos coberta de plástico que trazia a frase: “Olhai por nós, o prefeito não sabe o que faz”. O detalhe que chamou a atenção é de autoria de Junior que se inspirou na criação de Joãosinho Trinta.

Desfile da Beija-Flor e da Mangueira. Montagem: Notícias de Terreiro

A arte é uma referência à alegoria da Beija-Flor de Nilópolis censurada em 1989, que trazia o Cristo Mendigo coberto por um saco de lixo, após proibição religiosa e um cartaz dizendo “Mesmo proibido, olhai por nós”.

“A convite de um amigo meu, resolvi aceitar o desafio e fiz a peça. Para a minha surpresa, foi para o carro alegórico da Mangueira no carnaval deste ano”, relembra.

Segundo o artesão, a inspiração para a criação de suas peças é atribuída à espiritualidade e às músicas que costuma ouvir durante o seu processo criativo em seu ateliê, que fica em sua casa, no Catumbi, no Rio.

“Sou uma pessoa muito musical. Quando produzo peças afro, gosto de ouvir samba, de preferência, Clara Nunes. Sinto também uma certa influência do Candomblé. Na hora de criar, sempre me vem a intuição de cores relacionadas ao culto candomblecista.

A Santuário Relicário realiza encomendas para todo o Brasil , e os pedidos podem ser feitos por inbox, na fanpage, ou pelo WhatsApp, no número: (21) 97270-9459.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.