Xangô: o rei da Justiça divina e dos homens

Representação do orixá, no dia 1 de fevereiro de 2012, após 100 anos do Quebra de Xangô, em Maceió. Foto: Michel Rios/Divulgação

“Quem deve paga, quem merece recebe”, quando se fala em Xangô é difícil não lembrar desta frase. Apontado por muitos sacerdotes e estudiosos como principal Orixá regente do ano de 2018, é ele o grande regente da justiça, seja a divina ou dos homens. Afinal, que outro ser teria a capacidade de julgar sob a mais plena imparcialidade, senão o grande rei da justiça?

Forte, imponente, autoritário e viril,  exerce domínio sobre o fogo, os raios e trovões. Seu ponto de força encontra-se em locais da natureza  onde predominam as pedreiras como, por exemplo, as cachoeiras. Por isso, estes locais tornam-se ideais para a entrega de oferendas para esta divindade que por estar diretamente ligada à justiça, é muito solicitada para o desembaraço de questões judiciais. Além disso, também exerce influência em questões referentes à política, entre outros setores que em geral estão de alguma forma são relacionados a este campo.

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A imparcialidade adotada por Xangô na hora de proferir uma determinada sentença é o motivo pelo qual todo filho de fé é aconselhado a jamais clamar por justiça a este Orixá. Neste momento deve-se levar em consideração que, para o Orixá, o que está em questão vai muito além da encarnação atual de cada um. Por conta disso, pedir por algo “justo” pode ser um grande erro. Outro fator importante é que, muitas vezes, confunde-se vingança com justiça, e este é o último dos sentimentos emanados por uma divindade.

A sensualidade é também uma de suas grandes características. De acordo com a mitologia africana, teve como esposas: Oxum, Obá e Iansã, sendo esta última sua maior companheira. Das três, Oyá é a que mais é associada à Xangô. Uma das lendas conta que no momento do grande encontro entre estas duas divindades, o amor de Iansã por Xangô foi tão grande que esta optou por abandonar Ogum, seu então companheiro. Além disso, juntos, Xangô e Iansã regem a quarta-feira e ambos têm como elemento natural os raios.

Seu sincretismo mais famoso na Umbanda é São Jerônimo, sendo também associado a outros santos católicos como São João Batista, São Pedro, São José, entre outros. Por conta destas associações, o mês de junho costuma ser marcado por homenagens ao Orixá dentro da liturgia umbandista.  Assim como na cultura Iorubá, no Candomblé, Xangô é tido como um rei. Nos cultos de nação tem como qualidades Alufan, Alafin, Afonjá, Airá, Aganju, Agodo, Barú, Obain, Oranfé, Obalubé, entre outras. Sua ferramenta é o Oxé, o machado de dois lados que representa o equilíbrio necessário, para que assim possa se fazer o julgamento. Daí a origem de sua imparcialidade.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.