Ogum: orixá dos caminhos e da proteção

Ogum manifestado no Templo de Umbanda Hospital das Almas, em Senador Camará. Foto: Henrique Esteves

Símbolo da luta e das conquistas , senhor dos caminhos, Ogum é uma das divindades mais cultuadas e respeitadas no Brasil. No Rio de Janeiro, é sincretizado com São Jorge, santo que também está associado ao arquétipo do homem guerreiro e que é reverenciado no dia 23 de abril, última segunda-feira. 

Orixá que domina o ferro, Ogum está diretamente ligado às ferramentas e também à tecnologia. Por isso, é protetor dos ferreiros, agricultores, caçadores, escultores, entre outras atividades relacionadas ao elemento. Foi ele quem ensinou o homem a forjar o ferro e o aço. A divindade representa o trabalho, a determinação e a vontade de vencer. Esta característica faz com que seja muito solicitado em momentos de grande dificuldade.

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Junto com Exu, que rege as encruzilhadas, Ogum também domina os caminhos, mais especificamente os de linha reta,  sendo aquele que está sempre à frente, abrindo passagem. Remove com sua espada todo e qualquer obstáculo, logo, é também um grande protetor que está sempre de prontidão, pronto para a batalha. É implacável contra qualquer tipo de demanda, ou toda e qualquer vibração de origem negativa.

De acordo com a mitologia africana, Ogum é o filho mais velho de Odudua, rei de Ifé, que ao perder a visão momentaneamente o designou a regência do reino, o guerreiro sanguinário temível, o homem louco dos músculos de aço. Daí a origem de seu arquétipo guerreiro, combativo.

É venerado nos cultos de nação e também na Umbanda, onde é fortemente associado à figura de São Jorge em algumas vertentes por conta do sincretismo religioso. No Candomblé, dependendo da Nação que se cultua, há outras nomenclaturas. Entre algumas qualidades dele, estão: Ògún Mèje, Ògún Je Ajá, Ògún Àmènè, Ògún Alágbèdé, Ògún Akoró, Ògún Oniré e Ogun Wàrís. Já na liturgia umbandista, são cultuados seus falangeiros, sendo eles: Ogum Megê, Ogum Beira-Mar, Ogum de ronda ou Naruê, Ogum Delê ou Dilei, Ogum Iara e Ogum Matinata, entre outros.

 

Um guerreiro que jamais renegou a sua fé

Filho de pais professantes da fé cristã, Jorge nasceu na Capadócia, e logo após o falecimento de seu pai, mudou-se junto de sua mãe para a Palestina. Por ser uma mulher de bens, teve condições de proporcionar a Jorge uma boa educação. Ao ingressar no exército Romano na adolescência, algum tempo depois foi promovido a capitão do Exército Romano por conta de seu temperamento combativo e perfil de liderança. O então imperador Diocleciano tinha planos de eliminar os cristãos através de um decreto, onde Jorge logo mostrou-se contra a esta atitude demonstrando ser adepto da fé cristã.

Jorge nasceu na Capadócia, filho de pais cristãos, teve uma boa educação e, com isso, ingressou no exército romano. Rapidamente é promovido a capitão do exército romano, devido ao seu perfil combativo e a sua capacidade de liderar. À época, o imperador era Diocleciano, que foi um dos que mais perseguiu cristãos, e Jorge logo mostrou-se contrário à atitude do imperador em perseguir cristãos. Com isso, o seu lado cristão veio à tona.

Ele foi torturado diversas vezes a mando do imperador, sem jamais renegar sua fé, sempre sendo levado de volta ao imperador. Por conta da resistência de Jorge, outros membros do exército romano e, até mesmo, a esposa do imperador converteram-se ao Cristianismo. Por fim, Diocleciano ordenou que Jorge fosse decapitado, no dia 23 de abril do ano 303, na cidade de Nicomédia.

De acordo com a lenda, São Jorge fez acampamento com sua legião romana próxima a Salone, na Líbia, onde acreditava-se na existência de um gigantesco dragão que devorava seres humanos. A figura mitológica era considerada tão venenosa a ponto de nenhuma pessoa ser capaz de chegar perto e permanecer viva. Com o intuito de manter a fera longe da cidade, a ela eram oferecidos cordeiros. Com o fim dos cordeiros, passaram a oferecer crianças.

Eis que chegou a vez de Sabra, de 14 anos, filha do Rei, ser oferecida como sacrifício. Sabendo do ocorrido, São Jorge montou em seu cavalo branco e partiu para a batalha. Entretanto, exigiu do Rei a promessa de que, se trouxesse sua filha de volta, teria de se converter ao Cristianismo.  Foi então que o guerreiro iniciou uma luta com o dragão, onde cravou sua espada debaixo da asa da fera que logo caiu sem vida. São Jorge amarrou a criatura e a levou morta até a cidade, levando junto com ele a princesa sã e salva. Ao cortar a cabeça do dragão na frente da multidão, toda a cidade converteu-se ao Cristianismo.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.