Desenhista retrata Orixás em belas ilustrações

Orádia Porciúncula encontrou na arte um meio para demonstrar sua fé no Candomblé

Desenhos de Orádia Porciúncula exalam o amor ao Orixás. Foto: Divulgação

O amor pela espiritualidade pode ser expresso de variadas formas. Entre elas, através da arte, por meio de ilustrações que retratam toda a beleza das divindades do panteão africano. E foi com talento e criatividade que a desenhista Orádia Porciúncula, de 32 anos, encontrou meios para demonstrar sua fé no Candomblé, religião da qual é praticante.

Filha de Xangô e Oxalá e adepta do culto de nação Angola, a relação da artista com a religião vem desde a infância por influência de sua família. Ekedi suspensa há oito anos, Orádia faz parte do Ilê Casa Amarela, que é comandado pela Yalorixá Edméia Porciúncula, conhecida como “Ouro da Samba”. O templo fica em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A sacerdotisa, inclusive, é sua tia de sangue.

“Nossa raiz é Gomeia. Minha avó de santo foi Lenidê, que foi filha de Santo de Latalondirá (Joãozinho da Gomeia)”, relembra.

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Assim como a sua relação com o Candomblé, a vocação para desenhar se manifesta desde muito cedo. A ideia de direcionar seu trabalho para a religiosidade surgiu logo após sua iniciação, por incentivo de sua tia Neli. 

“Quando fui suspensa Ekedi, minha tia Neli me sugeriu desenhar orixás e todas as demais entidades. Desde então, não parei mais. O que mais me motiva é levar fé ao coração das pessoas e estimular o respeito entre as diferentes religiões”, afirma.

Como todo bom espiritualista, a artista se deixa levar pela intuição que sempre dá aquela forcinha durante o processo criativo. Além disso, a jovem também tem como referência nomes como Carybé, nome artístico de Hector Julio Páride Bernabó, importante artista plástico argentino, naturalizado brasileiro, morto em 1997.

“O que posso lhe dizer é que a intuição vem. Eu pego o lápis e começo a desenhar. Tenho como referência de cores o Carybé, mas tem outros profissionais que utilizo como base de estudo. Yoshitaka Amano, Ayame Kojima, entre outros”, relata.

O trabalho de Orádia dedicado especialmente à espiritualidade lhe rendeu parcerias com e-commerces especializados em produtos da temática espiritualista de raiz africana, como a Loja Mirongas com quem mantém parceria desde 2017.

“Eu conheço as meninas tem uns 5 anos ou mais. Ano passado, começamos a conversar sobre a parceria na Mirongas e tem dado muito certo. Fico feliz, pois são profissionais muito competentes. Propostas são bem-vindas, mas estou feliz com as parcerias atuais”, comenta a artista, que também cede seus desenhos para a loja virtual Mariwô.

Para Orádia, mais do que um trabalho artístico, este é um pedido de respeito à diversidade.

“O que desejo é que através do meu trabalho eu consiga mostrar que é possível as religiões conviverem em harmonia”, defende.

Quem quiser conhecer outras criações da artista, pode acessar a fanpage Portfólio Orádia.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.