Ferramentas diferenciadas com base em fundamentos

Casal simpatizante do Candomblé vive da produção de paramentos ritualísticos

Reino das Ferramentas tem vasta produção de paramentos religiosos. Foto: Divulgação

Às vezes, um incentivo é somente o que falta para que um novo negócio seja iniciado. No caso do paulista Hemerson Roberto, de 50 anos e da gaúcha Sandi  Wladimirski de 42, o fator decisivo foi a admiração pelo Candomblé. Simpatizantes confessos da religiosidade afro-brasileira, o casal se dedica há três anos exclusivamente a produção de ferramentas para assentamentos e outros paramentos de ferro utilizados em cultos de matriz africana. A atividade deu origem à loja virtual Reino das Ferramentas.

Além de itens para assentamento, o casal, que é morador de Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo , produz e comercializa itens como espadas com cabos trançados e bonecos. Todas as criações são autorais e tem como grande diferencial a exclusividade. Ambos são responsáveis por todo o processo de produção, desde a aquisição da matéria-prima, até o acabamento. Hemerson comenta que, apesar de não ser exatamente adepto da religião, ele e Sandi estudam a fundo toda a cultura e os fundamentos que envolvem a ritualística destas crenças.

“Nossos produtos são bem aceitos, pois tudo que produzimos é com base nos fundamentos. Procuramos entender a cultura africana a fundo através de estudos para que possamos produzir peças autênticas”, explica.

Outro traço que destaca o trabalho de Hemerson e Sandi é o respeito à particularidade dos trabalhos solicitados através de desenhos que reproduzem pontos riscados. Neste caso, tanto o desenho quanto o produto, são mantidos no mais absoluto sigilo com o objetivo de preservar a exclusividade da ferramenta solicitada pelo cliente.

“Nós não divulgamos os desenhos e nem os produtos quando ficam prontos, nestes casos. Isso seria até uma falta de respeito ao fundamento daquela entidade”, defende.

Assista ao vídeo da produção de ferramentas da loja:

A credibilidade veio com o passar do tempo. Inicialmente, o casal tentou emplacar suas criações em lojas de artigos religiosos sem muito sucesso. As diversas negativas acabaram servindo como mais um incentivo para que os artesãos investissem na produção de peças diferenciadas.

“Depois que criamos a fanpage no Facebook e começamos a divulgar nossos produtos, aí a situação se inverteu. As lojas passaram a nos procurar”, diz.

Apesar de o foco da loja online não ser exatamente atuar fornecendo peças para lojas, o Reino das Ferramentas atende cinco lojas em São Paulo. O principal interesse do casal é conseguir comercializar produtos diferenciados e de qualidade a preços acessíveis.

“Nós atendemos a essas cinco lojas, mas nós preferimos trabalhar vendendo diretamente. Não acho justos os preços que são praticados na revenda. Estamos falando de um produto que é uma necessidade”, justifica.

Futuramente, a dupla de artesãos pretende ampliar o negócio com a aquisição de mais maquinário para que possam atender seus clientes cada vez melhor. Além disso, estão em fase de negociação com outros fabricantes de novos tipos de produtos como velas, imagens, entre outros.

“Nosso objetivo  mesmo é fechar parcerias para que possamos vender produtos a preço de fábrica. Não tenho interesse em vender produtos a preços exorbitantes” revela.

Para Hemerson, a atividade representa muito mais do que uma fonte de renda. O paulista acredita que seu trabalho ajuda a desmistificar a visão negativa que ainda é direcionada à religiosidade afro-brasileira.

“Sinto muito orgulho de fazer esse trabalho. É uma satisfação enorme. Não tem valor de peças para mim que pague isso, pois a religião é muito discriminada”, finaliza.

O Reino das Ferramentas realiza entregas para todo o Brasil, e os pedidos  podem ser feitos acessando a loja virtual, pela fanpage, pelo perfil no Facebook, ou pelo WhatsApp através do número (11) 99200-6780.  O e-commerce aceita todos os cartões e o pagamento pode ser feito em até quatro vezes sem juros.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.