Venda de bolsas, necessaires e acessórios de tema afro traz fôlego profissional

Itens artesanais são produzidos e vendidos pela loja virtual no Facebook. Foto: Divulgação

Na maioria das vezes, o artesanato surge como um hobbie, uma maneira de ocupar o tempo ocioso, ou, em alguns casos, a atividade é desempenhada em paralelo a outras ocupações como a vida profissional, por exemplo.  Em tempos de crise financeira, viver apenas desta atividade pode não ser o mais adequado, mas com talento e dedicação, esta iniciativa tem tudo para se tornar um negócio lucrativo.  Como é o caso de Rachel Wesolowski, de 43 anos, que, após deixar o mercado de turismo, direcionou todos os seus esforços para o artesanato, dando início a Iya Omi Art’s, e- commerce que comanda através de uma fanpage e um perfil no Facebook.

O negócio surgiu há três anos, após um grave problema de saúde que levou Rachel a ter que encerrar sua carreira profissional como turismóloga.

“Tive um princípio de infarto e saí do trabalho. Nesse meio tempo, eu encontrei uma máquina de bordado que tinha em casa e inicialmente decidi trabalhar com lembrancinhas. Desde então, as coisas começaram a fluir naturalmente”, conta.

A candomblecista, que ocupa o cargo de Ekedi, é filha do Babalorixá Doté Julan Ty Logun Edé, dirigente do Ilê Asé Oro Ofá Omim. O sacerdote, inclusive, é seu irmão carnal. Há cinco anos confirmada no cargo, sua relação com a espiritualidade vem desde criança.

Em sua loja virtual, a artesã comercializa variados itens de artesanato como: toalhas bordadas para lembrancinhas, necessaires de variados tamanhos, sabonetes decorados, aromatizadores, difusores e fios de conta colocados em vidro e com tag personalizada.  O destaque do catálogo é a linha de bolsas. O acessório é confeccionado em diferentes materiais. Entre eles, algodão cru e couro sintético, conforme o pedido do cliente.

“Hoje, o forte das vendas são as bolsas. São feitas manualmente, uma a uma. Tudo de acordo com o pedido do cliente, faço um trabalho totalmente artesanal”, explica.

Os produtos podem também ser vendidos em kits com uma quantidade mínima de 30 peças. Os preços das unidades variam entre R$ 4,50 e R$ 60. O kit inclui os fios de conta, toalhas de franja personalizadas, sabonetes decorados, entre outros. Os sabonetes, inclusive, são decorados a partir de uma técnica exclusiva adotada pela artista, o que torna o produto único. Ela, inclusive, mantém o segredo guardado a sete chaves.

“Utilizo uma técnica diferenciada na decoração dos sabonetes. É um diferencial que torna meu trabalho exclusivo, em comparação à concorrência”, afirma.

Rachel é responsável por todo o processo de produção, que se inicia na escolha da matéria-prima e finda no acabamento. Desde que deixou de atuar na área de Turismo, toda a renda da candomblecista é obtida com as vendas da Iya Omi Art’s.

“Olha… Já passei muito aperto nesses três anos. Nem sempre foi fácil, mas posso dizer que há um ano e meio já está sendo o suficiente para pagar as minhas contas, graças a Deus”, comemora.

O sucesso tem sido tanto que a artesã é responsável por confeccionar as bolsas personalizadas utilizadas pelo Afoxé Raiz de Verdade, grupo cultural de dança, música e outras manifestações artísticas de matriz afro-brasileira.

“Ano passado, fui convidada pelo Tião Raiz para produzir as bolsas personalizadas. Depois que o coreógrafo dele comprou uma, ele se interessou pelo meu trabalho e pediu para que eu desenvolvesse uma linha de bolsas para o Afoxé”, relembra.

A parceria de sucesso lhe rendeu um convite para participar como expositora do festival feito em homenagem aos baluartes do Candomblé, em novembro de 2017. No último dia 26, a Iya Omi Art’s também marcou presença no festival Encontro das Celebridades do Candomblé.

“Esse ano, uma das minhas principais metas é participar de outros festivais”, planeja.

E as novidades não param por aí: em breve, o catálogo da loja virtual contará com novos produtos. Entre eles, novas linhas de bolsas e mochilas, capas de notebook e tablet e novos modelos de necessaires. A candomblecista também adianta que já está trabalhando na construção do site de sua loja para poder atender seus clientes da melhor maneira possível.

“O site já está em fase de criação. A previsão é que ele fique pronto em seis meses. O catálogo também já está sendo trabalhado”, diz.

Para Rachel, o fato de adeptos de religiões de matriz africana se mostrarem menos intimidados em demonstrar sua fé tem contribuído para o sucesso de seu negócio. Afinal, a resistência tem sido cada vez mais necessária.

“Você sair na rua com um produto que ressalta o seu Orixá, a sua navalha, é muito gratificante. Acho que, de certa forma, isso ajuda a quebrar o preconceito”, opina.

A Iya Omi Art’s atende pedidos de todo o Brasil. As encomendas podem ser feitas através de seu perfil no Facebook e pelo WhatsApp (21) 97619-1188.  Em breve, os produtos estarão disponíveis em São Paulo através de um representante.

“Estou em processo de negociação com um representante em São Paulo. É um pouco demorado por questões contratuais”, adianta.

*Estagiário supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.