Feira dos Oborós terá sua próxima edição no dia 15 de abril, em Duque de Caxias

Feira dos Oborós ocorre uma vez por mês. Foto: Divulgação.

Quanto mais a intolerância se mostra agressiva, mais a resistência fica forte e é mostrada de diferentes formas. Uma delas é através de feiras e festivais que reúnem a cultura e a religiosidade afro-brasileira. A Feira dos Oborós, idealizada pela Yalorixá Janaína D’ Ossayn, tem se firmado como um importante evento que ressalta o valor da ancestralidade africana. Em sua próxima edição, no dia 15 de abril, na Praça do Pacificador, no centro de Duque de Caxias, a partir das 14h, a grande homenageada da vez será a Yalorixá Obá Ganjú.

O evento ocorre há cerca de quatro anos, e desde setembro de 2017 foi centralizado e batizado com o nome Feira dos Oborós. Antes da centralização, a feira acontecia em diferentes locais a cada edição e, desde a reformulação, passou a ocupar local fixo na Praça do Pacificador, no centro de Duque de Caxias. Atualmente a festividade ocorre com edições mensais.

“A feira já acontecia há bastante tempo, mas não com esse nome. No ano passado decidi centralizá-la e, desde então, ela passou a acontecer uma vez por mês na Praça do Pacificador”, explica.

Janaína é a fundadora do evento.
Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Além de ser um espaço de exaltação à religiosidade e à cultura afro-brasileira, a Feira dos Oborós tem como uma de suas propostas desmistificar o preconceito, conforme conta um dos diretores culturais, o Ogan Arthur Araújo AwoFakan.

“A Feira dos Oborós é um evento de arte e cultura afro-brasileira que pretende se expandir  e, com isso, desmistificar o preconceito e desalienar nosso povo de si mesmo”, conta.

A iniciativa, que conta com o patrocínio do grupo de afoxé Orin Layó e o apoio cultural de Orin Dudu e Ofaloyá Buffet irá trazer para o público uma programação recheada de atrações de peso. Para animar a Feira dos Oborós, o agito fica por conta de renomados grupos de afoxé, entre eles os convidados especiais Omo Ketu, Filhos de Gandhi Núcleo Caxias, Assanjo, e Omoro Odé. E para a festa ficar completa, o grupo Nosso Samba também marca presença. Janaína ainda revela que novidades estão sendo estudadas para esta edição.

“Estamos trabalhando para trazer novidades para o público na programação musical, mas ainda estamos em processo de negociação. Queremos sempre agregar coisas novas à Feira dos Oborós, senão fica uma coisa maçante”, adianta Janaína.

A gastronomia também é um dos grandes destaques do evento, entre as variadas opções disponíveis, haverá o festival de acarajé. A tradicional iguaria ficará por conta de Patricia Omoloyace que há várias edições marca presença com sua barraca. O prato possui grande significado dentro da cultura e da religiosidade afro-brasileira, conforme conta Arthur.

“O Acarajé é uma forma de comunhão com nossos deuses, comer uma bola de fogo é de certa forma criar uma ligação com Xangô e Iansã. É importante manter a ritualística em torno do acará”, afirma o Ogan.

Outros pratos típicos da culinária afro como Vatapá e Caruru também estarão entre as opções pelas barracas presentes na feira. Apesar da temática, a feira abrange todos os gostos e disponibiliza  também outras opções gastronômicas como caldos, batata frita, empadão, entre outros.Janaína conta o quanto se sente feliz e realizada pelo sucesso que a Feira dos Oborós tem alcançado e pela oportunidade de poder homenagear Yá Obá Ganjú.

“Estou muito feliz em poder homenagear uma grande matriarca, ela é minha Agbá (mais velha no santo), é uma honra pra mim a confiança que ela tem na minha pessoa, que os Orixás possam dar vida longa a ela”, deseja.

Já a grande homenageada, a Yalorixá Antônia Conceição, de 84 anos, diz como se sente lisonjeada pelo convite feito por Janaína.

“Eu me sinto contente, satisfeita, e realmente agradecida por ser a escolhida para ser homenageada, não fico com complexo  de superioridade. Apenas agradeço a benevolência da organizadora e peço a Deus que o evento seja proveitoso para todos os que comparecerem”, afirma.

Yalorixá Antônia Conceição será homenageada. Foto: Divulgação.

Muito conhecida e respeitada dentro do Candomblé, a candomblecista comanda o Ilê Obá Ganjú há 51 anos. A casa que pertence à nação Ketu fica no bairro Nova Aurora, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. A sacerdotisa também ocupa o cargo de Yá egbé no Axé Babá Onilà, casa pertencente ao culto Egungun – religião de matriz africana que cultua eguns (espíritos desencarnados). O Ilê, que originalmente também localizava-se na cidade de Belford Roxo, hoje está sediado na Bahia, na Ilha de Taparica.

A próxima edição da Feira dos Oborós irá acontecer no dia 15 de abril a partir das 14h, na Praça do Pacificador, no Centro Cultural Oscar Niemeyer e conta com a seguinte equipe de produção:

Diretor cultural – Ogan Arthur Araújo AwoFakan

Diretor cultural – Rian

Diretor administrativo – Wallace Moura

Diretora de eventos – Andressa

Diretor de eventos – Douglas

Diretor de Produções – Billy

Coordenadora de Produção – Tamires

Diretor de eventos – Alex

*Estagiário supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.