Jongo da Serrinha reabre as portas com plataforma de financiamento coletivo

Jongo da Serrinha retoma atividades neste sábado. Foto: Divulgação/Fanpage

Em parceria com a Benfeitoria – plataforma de mobilização coletiva de recursos para projetos com impacto cultural, social, econômico e ambiental -, a Associação Grupo Cultural Jongo da Serrinha, conhecida como Casa do Jongo, reabrirá a suas portas, neste sábado (31), às 10h, em um evento imperdível. Mas antes, às 9h, haverá uma concentração na Rua Silas de Oliveira, em Madureira. Tombado em 2005 pelo Iphan como Patrimônio Imaterial do Sudeste, o gênero, por meio da ONG, resiste às dificuldades, como observa uma das fundadoras, Tia Maria do Jongo.

“Estamos reabrindo a casa somente com o recurso que temos da Benfeitoria, o que não paga as nossas despesas. Mas nos juntamos para enfrentar mais essa batalha, porque nossas crianças não podem ficar sem os projetos que oferecemos”, conta Tia Maria do Jongo, de 97 anos, uma das principais responsáveis por manter vivos os ensinamentos do ritmo, que foi trazido à cidade no século XIX por escravos Bantus, influenciando a criação do samba.

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O evento, que marca o retorno de um dos centros culturais mais importantes do Rio de Janeiro, começa com a concentração na Rua Silas de Oliveira, também em Madureira, onde será feito um cortejo ao som da bateria Herdeiros e Molecada em direção à Casa do Jongo. Lá o público será recepcionado com atrações até às 19h. Para animar a festa, estarão presentes artistas como Pretinho da Serrinha, Nelson Sargento, Zé Luiz do Império, Velha Guarda do Império Serrano, Dorina, Paulão Sete Cordas, entre outros.  A Casa também contará com diversos apoios coletivos. Entre eles, Companhia de Aruanda, Museu Virtual, Afoxé Filhos de Gandhi, Cordão do Boitatá, Dandaluna, Rio Maracatu. E ainda: as rodas de samba Moça prosa e Flor de Samba.

Como divulgado, a instituição cultural interrompeu as suas atividades em janeiro com o fim de uma parceria de 17 anos com a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Cultura, que alegou falta de verbas. Apesar de existir desde a década de 60 por iniciativa de Darcy Monteiro e sua mãe, Maria Joana Rezadeira, a Casa foi inaugurada pela Prefeitura em 2015 durante a gestão de Eduardo Paes.  Depois da inauguração, a despesa passou a ser de R$ 400 mil por ano. Entre as atividades praticadas na sede estão: apresentações artísticas, sessões de cinema, oficinas de arte, escola de Jongo, exposições de arte, estúdio musical e biblioteca.

Tia Maria do Jongo é uma das fundadoras do grupo. Foto: Divulgação/Bianca Pimenta

O Jongo é uma manifestação cultural de matriz africana reconhecida como Patrimônio Cultural Nacional em 2005 pelo IPHAN a pedido do Jongo da Serrinha. Sua origem está ligada à presença de africanos de origem Bantu, de Angla, trazidos para o trabalho escravo, nas fazendas de café e cana de açúcar do sudeste brasileiro.

O Morro da Serrinha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, é uma comunidade urbana com aproximadamente 10 mil moradores na sua maioria negros. Com mais de 100 anos de existência, a Serrinha é uma das primeiras favelas do país, tendo recebido no início do século passado um enorme contingente de negros recém-alforriados que praticaram continuamente o jongo, constituindo-se como um verdadeiro quilombo cultural da identidade negra carioca.

Na década de 70, preocupados com a extinção do jongo na cidade do Rio moradores da Serrinha criaram o grupo musical “Jongo da Serrinha”, ensinando crianças a praticar o jongo e inovando em termos musicais introduzindo harmonia em seus arranjos. Em 2000, o grupo criou uma ONG para desenvolver social e economicamente a comunidade, preservando o jongo como patrimônio imaterial através de ações de arte, educação, cultura, trabalho e renda. Em 2001, foi criada a Escola de Jongo, para crianças e adolescentes na comunidade, hoje com 400 alunos.

Veja a programação completa:

9h- Concentração- “Na padaria Brilho do Sol, na Rua Compositor Silas de Oliveira esquina com a Avenida Ministro Edgard Romero”

10h- Subida da rua em cortejo até a casa do Tio Molequinho (Falecido), onde estará a bateria do Herdeiros e Molecada que agita, o cortejo seguirá até a chegada na CASA DO JONGO.

11h- Fala institucional

11h10- Rodas dos grupos de Cultura popular

15h- Primeiro SET- Roda em homenagem à Ivone Lara: “Nas asas da Canção”

16h40- Roda de Jongo

17h10- Segundo SET- comunicação: Roda nas asas da canção

19h10- Encerramento da Roda

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini .