Mãe Menininha canta em CD de cantigas de Candomblé lançado em Salvador

Mãe Menininha é a quarta da esquerda para a direita (Foto: Lorenzo Turner, Anacostia Community Museum, Smithsonian Institution)

Será lançado hoje, em Salvador, no Museu de Arte da Bahia (MAB), às 19h, o CD duplo Memórias Afro-Atlânticas, com gravações de antigas canções do candomblé, registradas na Bahia entre os anos de 1940 e 1941 pelo linguista norte-americano Lorenzo Dow Turner (1890 -1972). Na ocasião, ainda será apresentado um catálogo com textos, CDs e fotografias, com distribuição preferencial para representantes das diversas nações do candomblé baiano e, também, para instituições voltadas para as tradições de matriz africana no Brasil. Nem o CD, nem o catálogo estão à venda e a entrada é gratuita.

A pesquisa, a curadoria e os textos são do francês Xavier Vatin, etnomusicólogo e professor de Antropologia da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Xavier Vati. Todo o material sonoro passou por um minucioso trabalho de edição sonora para ressaltar as vozes e diminuir os ruídos das gravações originais. Por isso, é possível ouvir Mãe Menininha (1894-1986) cantando e falando em Iorubá fluente aos 44 anos de idade, mas ainda com uma voz que lembra uma adolescente.

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O lançamento em CD foi viabilizado pelo Prêmio Afro, que tem apoio da Fundação Cultural Palmares. Já o catálogo, tem textos em Português e Inglês. Nas gravações, a mãe-de-santo canta, reza e conta histórias em Iorubá. Neste projeto, constam registros e fotografias dos outros mais eminentes sacerdotes e sacerdotisas dos candomblés da época. Entre eles, Martinho do Bonfim, Joãozinho da Gomeia e Manoel da Falefá. Os registros sonoros estão disponíveis no Sound Cloud: soundcloud.com/memoriasafroatlanticas.

Segundo Vatin, todo o trabalho teve como foco “comprovar e enriquecer a apresentação da pesquisa com o fundo linguístico do oeste-africano, em locais e comunidades peculiares da diáspora africana nas Américas, e finalmente, divulgar esse raro acervo para o povo de santo e demais interessados, de forma inédita, contando a história musical das diversas nações do candomblé na Bahia e seus praticantes”.