“Liberdade”: A admiração pelo sagrado que virou exposição no CCJF

Fotógrafo visita terreiros a trabalho e aproveita material para mostra de imagens

Fotos: Henrique Esteves

Dos 19 anos em que é fotógrafo, há pelo menos 10 deles o carioca Henrique Esteves se dedica a registrar o cotidiano dos terreiros em que visita à serviço do deputado Átila Nunes Filho, político carioca que tem a liberdade religiosa em sua pauta há diversas décadas. A ideia de criar um acervo pessoal surgiu a partir de seu trabalho de ter que fotografar as idas do político a casas de santo.

Adepto do Budismo, o carioca é um grande admirador das religiões de matriz africana. As características dos rituais e do cotidiano dos terreiros foram uma das principais coisas que o impulsionaram a criar um banco de imagens pessoal que mais tarde se tornaria material para a exposição “Liberdade”. A ideia surgiu durante a graduação em Fotografia na Universidade Estácio de Sá com o incentivo do professor Sady Bianchin.

“Liberdade” ficou em cartaz em 2015 durante três meses, no Centro Cultural da Justiça Federal, sob a curadoria de Sady e teve um público em torno de 15 mil visitantes.

O que mais motivou o fotógrafo a criar a exposição foi a problemática da intolerância religiosa direcionada às religiosidade afro-brasileira e seus praticantes.

“Respeitar a diversidade é um dever de todos”, afirma o artista.

De todas as imagens presentes em seu acervo acumulado ao longo de dez anos em que realizou este trabalho artístico, a que mais marcou Henrique foi o registro de uma manifestação de Xangô, orixá da Justiça. Na ocasião, a visita do fotógrafo foi a um centenário terreiro de Umbanda Omolokô situado no município de Queimados, no Rio de Janeiro.

O carioca tem planos de lançar novamente a exposição com material atualizado. E um de seus objetivos é trazer para seu acervo registros do cotidiano de terreiros em Salvador.

“Levar meu trabalho para todo o Brasil também é uma grande vontade minha”, finaliza o fotógrafo, que mesmo não sendo adepto das religiões de matriz africana, traz para o público toda a grandiosidade do culto aos Orixás.

*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.